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8 jan 2026
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Recall envolve marcas líderes da Nestlé após risco de toxina em fórmulas infantis, com lotes vendidos em mais de 30 países 🌍
Recall iniciado em dezembro se expande e envolve dezenas de países após alerta sobre possível contaminação. Nestlé
Recall iniciado em dezembro se expande e envolve dezenas de países após alerta sobre possível contaminação 🧪

O recall anunciado pela Nestlé de lotes de fórmulas infantis vendidos em mais de 30 países acendeu um alerta sanitário global e colocou novamente em evidência os riscos e a complexidade da cadeia internacional de nutrição infantil.

A multinacional suíça informou que a medida envolve produtos comercializados principalmente na Europa, mas também em mercados da Ásia e das Américas, incluindo Argentina, México e Peru.

Segundo a empresa, o recall abrange determinados lotes das fórmulas infantis SMA, BEBA e NAN, após a identificação de um risco potencial de contaminação por cereulida, uma toxina produzida por algumas cepas da bactéria Bacillus cereus. A substância é conhecida por provocar sintomas de intoxicação alimentar, como náuseas, vômitos e cólicas estomacais, geralmente de forma rápida após a ingestão.

Autoridades sanitárias do Reino Unido reforçaram a gravidade do alerta. A agência britânica de padrões alimentícios destacou que a cereulida não é facilmente neutralizada por processos térmicos, como o uso de água fervente, nem durante as etapas industriais de fabricação do leite infantil. De acordo com representantes da agência, esse fator amplia a necessidade de retirada preventiva dos produtos do mercado.

Uma porta-voz da autoridade britânica explicou que os sintomas associados à toxina podem se manifestar em poucas horas, o que justifica a adoção de medidas rápidas e abrangentes por parte dos fabricantes e dos órgãos reguladores. Apesar disso, a Nestlé afirmou que, até o momento do anúncio, nenhum caso de doença havia sido confirmado em decorrência do consumo dos produtos recolhidos.

O recall, que havia começado de forma mais limitada em dezembro, ganhou escala nas últimas semanas e passou a envolver dezenas de países. A lista inclui praticamente toda a União Europeia, além de nações como Turquia, Reino Unido, Ucrânia e mercados relevantes da América Latina. A amplitude geográfica do movimento reforça o peso logístico e reputacional da decisão.

Internamente, o episódio ocorre em um momento sensível para a Nestlé. O grupo atravessa uma fase de reorganização estratégica sob a liderança de seu novo presidente-executivo, Philipp Navratil, que busca retomar o crescimento por meio de ajustes no portfólio e maior foco em eficiência operacional. Analistas avaliam que um recall dessa magnitude adiciona pressão adicional à gestão.

A empresa informou que o problema teve origem em um ingrediente fornecido por um parceiro estratégico, utilizado na produção de óleos de ácido araquidônico, componente comum em fórmulas infantis. Após identificar uma falha de qualidade, a Nestlé realizou testes extensivos em todos os óleos e misturas relacionadas aos produtos potencialmente afetados.

Com a conclusão das análises, a companhia decidiu avançar com o recall e, paralelamente, passou a acionar fornecedores alternativos do ingrediente. Também foram adotadas medidas para ampliar a produção em fábricas não afetadas e acelerar a liberação de produtos seguros a partir dos centros de distribuição, com o objetivo de minimizar impactos no abastecimento ao consumidor.

Na Áustria, o Ministério da Saúde classificou o episódio como o maior recall da história da Nestlé, mencionando mais de 800 produtos provenientes de mais de dez fábricas. Um porta-voz da multinacional, no entanto, afirmou que não era possível confirmar oficialmente esses números, embora tenha reconhecido a dimensão excepcional da operação.

A investigação inicial apontou uma fábrica localizada na Holanda como o ponto onde o risco foi identificado. Posteriormente, a autoridade holandesa de segurança alimentar informou que a matéria-prima contaminada havia sido utilizada em diversos locais de produção, inclusive fora do país, ampliando o alcance do recall.

O impacto de problemas envolvendo fórmulas infantis é particularmente sensível para o setor. Casos recentes mostram que falhas nesse segmento podem resultar em consequências financeiras, regulatórias e judiciais relevantes. Empresas concorrentes também enfrentam disputas legais em mercados como os Estados Unidos, o que mantém o tema sob vigilância constante de investidores e autoridades.

A Nestlé detém quase 25% do mercado global de nutrição infantil, estimado em mais de US$ 92 bilhões. Embora a companhia não divulgue dados detalhados por produto, essa categoria integra a divisão de Nutrição e Ciências da Saúde, responsável por uma fatia significativa do faturamento global do grupo. Após o anúncio, as ações da empresa acumularam queda superior a 3% em duas sessões consecutivas, refletindo a cautela do mercado diante da dimensão do recall.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de G1

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