Empresas e famílias do campo buscam se reinventar e pedem atenção para este pilar do agronegócio.
crise
etor aumentou a produção de leite nos últimos anos em todo o Rio Grande do Sul.
No vaivém de crises e oportunidades de crescimento na economia da Serra gaúcha, um dos segmentos que mais têm sofrido e buscado alternativas para, além de sobreviver, se sobressair, é o do leite.

importação de produtos oriundos de países do Mercosul e a consequente dificuldade de concorrência no preço, a queda no número de produtores no Rio Grande do Sul, além do baixo valor pago à cadeia leiteira são alguns dos desafios enfrentados pelas famílias empresas que vivem do setor.

E também das entidades que defendem os interesses de quem ainda aposta no leite como alternativa de negócio. Seja por tradição familiar, convicção de mercado ou alternativa de iniciar um empreendimento agrícola.

O ano de 2023 foi um verdadeiro teste para os envolvidos. Foi o período que mais pressionou o setor, graças ao aumento expressivo da entrada do produto no país, principalmente na versão em pó.

Marcas do Uruguai e Argentina, por exemplo, inundaram o mercado nacional, chegando a representar 10% da oferta, enquanto que em anos considerados normais o percentual não passava de 5%, conforme dados da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag/RS).

Os mesmos números apontam que o Brasil produz, historicamente, de 2% a 3% a menos do que consome, o que o torna um país com necessidade de importar. Porém, somente no mês de dezembro, 20 mil toneladas de leite em pó chegaram aos mercados locais, o que representa dois meses da produção gaúcha.

A situação de alerta foi ligada no departamento dedicado ao produtor de leite da entidade. O vice-presidente, Eugenio Zanetti, classifica o atual momento vivido pelo segmento como “uma das piores crises que se tem conhecimento da história dos lácteos”. Para o dirigente, os dois anos de dificuldade foram um desafio para o agricultor.

 

Bruno Todeschini / Agencia RBS
Consumo do leite segue estável.Bruno Todeschini / Agencia RBS

— Estiagem e queda vertiginosa dos preços em 2023 prejudicaram muito, mas esta crise é por conta das importações. O ano de 2024 começou com uma leve recuperação, mas ainda não é o suficiente. É por isso que já pedimos ao governo federal que reveja o acordo do Mercosul. Se o ele é bom para o Brasil, então, que os setores beneficiados possam subsidiar quem é prejudicado, como é o caso do leite, do vinho e do alho, tão importantes para a nossa região – opina Zanetti.

Ainda sobre as soluções, o vice-presidente da Fetag ressalta a necessidade de pensar na cadeia como um todo, buscando ações estruturantes que fortaleçam o produtor e deem condições de concorrer com o produtor internacional.

A saída é diminuir o custo de produção para que o leite brasileiro consiga competir em preço, e dar margem para o produtor. Linha de financiamento, renegociação de dívidas e medidas que baixem custo de produção são alguns caminhos. Mas é fundamental pensar a médio e longo prazo. É uma cadeia estratégica, porque falamos de agricultura familiar. Só vai permanecer quem conseguir pagar as contas no fim do mês e ver sobrar um pouco, o que muitos não têm conseguido. Até dois anos atrás, se enxergava o produtor pequeno desistindo. Agora, até o médio, que produz mil litros por dia, também desiste – lamenta Zanetti.

 

 

Dentre estes pedidos do setor, um anúncio feito neste ano pode dar um alívio, mesmo que temporário. Trata-se de um remanejo de R$ 707 milhões do Plano Safra 2023/2024, anunciado pelo Ministério da Fazenda, para encorpar linha de crédito emergencial de capital de giro voltada a cooperativas de produtores de leite.

Apesar de aguardado, o recurso não é suficiente. Na avaliação da Fetag, que representa o setor primário do Estado, a medida pode trazer apenas “alívio parcial” no bolso do produtor.

 

Mais leite no mercado, apesar de menos produtores

Para ter uma ideia das mudanças no cenário da cadeira leiteira, o número de estabelecimentos produtores (que destinam a produção de leite para a industrialização) no Estado diminuiu de 50.664, no ano de 2019, para 33.019 (baixa de 38,4%), em 2023, de acordo com dados da Emater/RS. Na Serra, a queda no mesmo período foi de 3.786 para 3.033 (-19,9%). Por outro lado, a quantidade de litros registrou movimento contrário. Em quatro anos, o RS saiu dos 213,63 litros de leite em média produzidos diariamente por estabelecimento, para 317,17 litros (alta de 48,4%).

Sobre a queda no número de produtores, o médico veterinário João Carlos da Luz, assistente técnico do escritório Regional de Caxias do Sul da Emater, acredita que uma das principais explicações é o envelhecimento da base da cadeia. Segundo Luz, mais de 80% dos pequenos produtores têm mais de 65 anos, o que dificulta o trabalho e sufoca as propriedades. Com relação ao aumento na quantidade de leite, mesmo com a queda no número de agricultores, a explicação é a centralização da produção em fazendas maiores.

 

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Na Serra, o número de produtores de leite caiu de 3.786 para 3.033 (-19,9%).Bruno Todeschini / Agencia RBS 

— O que se percebe é que esses agricultores não têm mais as mesmas condições físicas de outros tempos, além de serem propriedades que não evoluíram em termos de automação. Somado a isso, a falta de sucessão faz com que muitas famílias saiam do setor e os herdeiros se desfaçam dos animais ou arrendem as produções. A falta de mão de obra é crítica. Atualmente, a família trabalha ou não tem quem faça — avalia o médico veterinário.

O estrangulamento das pequenas agroindústrias pelas grandes marcas também é citado por Luz. Ele ressalta os diferentes valores praticados pelo mercado, que privilegiam quem produz mais.

— Hoje, varia de R$ 1,70 a R$ 2,25 o litro do leite pago ao produtor. Quem consegue entregar uma grande quantidade, recebe mais por litro. Isso impossibilita que os menores sigam competindo, e ajuda a explicar o porquê temos menos gente lidando com o leite e a produção ter aumentado — relata Luz.

A recuperação está na diversificação

Enquanto o panorama é de preocupação para parte do setor, o otimismo é observado na indústria. A expectativa de um 2024 que represente uma recuperação nas margens de lucro, tanto para empresas quanto para produtores, depois de um calendário com excesso de produtos importados no mercado nacional, faz parte da avaliação do vice-presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat-RS), Alexandre Guerra. Ele acredita no fortalecimento da cadeia como ponto chave na retomada.

— A indústria trabalha para que tenhamos competitividade para concorrer com os importados. Deixar de ser um país importador em nossa base comercial e consolidar-se como exportador, fazendo com que se produza mais por propriedade, inovando em produtos e o governo fazendo a parte dele, dando as condições necessárias em infraestrutura — aponta Guerra.

 

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Diversificação de produtos, como o queijo, derivado do leite, é um dos elementos essenciais na busca por soluções.Bruno Todeschini / Agencia RBS

 

A diversificação de produtos é outro elemento essencial listado pelo vice-presidente do Sindilat. Para Alexandre Guerra, o aumento das vendas, que pode dar fôlego aos produtores e à indústria, acontece a partir da adaptação aos novos hábitos de um consumidor cada vez mais exigente.

— A melhorar do consumo, da própria economia e aumento da renda da população, por meio de benefícios sociais que impactam diretamente, são fundamentais. Pensar não somente na alimentação, mas no bem-estar de quem compra e quer novas alternativas. Quando se consegue agregar valor, isso volta para o produtor — conclui Guerra.

A tradição e as apostas da Santa Clara

Desde 1912. A frase que acompanha o logotipo da Santa Clara, de Carlos Barbosa, uma das mais antigas cooperativas de laticínios em atividade no Brasil, escancara o tamanho da tradição que carrega e, a reboque, demonstra a representatividade que exerce para um setor que convive com a crise e suas oportunidades.

A história de 112 anos permite leitura de cenários e respostas imediatas a enfrentamentos necessários em épocas como a que o segmento passa. O grande foco segue sendo a proteção ao cooperativado e a valorização de quem sustenta toda a cadeia. Atualmente, são 4.840 associados, em um total de 2.482 produtores. São 2.320 funcionários para atender a toda essa rede.

A relação que permite a Santa Clara ter 775 mil litros de leite industrializados por dia é baseada na assistência técnica agricultor, acompanhamento técnico e das questões inerentes ao associado, como a divisão dos resultados financeiros, que em 2023 foram de R$ 19 milhões. Nos últimos 10 anos, R$ 150 milhões foram repassados aos cooperativados. O presidente da Santa Clara, Gelci Thums, avalia o momento da cooperativa, e exalta a participação do produtor no cenário.

 

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O diretor Alexandre Guerra com o presidente da Santa Clara, Gelci Thums.Bruno Todeschini / Agencia RBS

 

—  A cooperativa está num momento bom. Ano de 2023 foi de muitos ajustes, no campo e internamente. E agora atravessamos uma fase desafiadora, mas de bons resultados. Como sempre, a nossa atenção está no associado. Fui produtor a vida inteira e sei das dificuldades e como o complexo do agronegócio não o vê com a valorização que merece, e é essa nossa prioridade na Santa Clara — avalia Thums.

Hora dos produtos funcionais

A linha de itens de laticínios com 236 opções para o consumidor é o atual trunfo da cooperativa para enfrentar as variações do mercado. Embora o leite, queijos, bebidas lácteas, temper cheese, requeijão, nata e demais derivados tradicionais sejam os responsáveis por grande parte do faturamento, as novidades seguem as tendências do setor.

Com o princípio de atender a novas demandas, a empresa consolidou a atuação nos segmentos diet e light, e agora vive o momento de aposta nos produtos chamados funcionais, como zero lactose, com redução de sódio, microrganismos probióticos, que ajudam no equilíbrio da flora intestinal, e os lácteos proteicos, muito utilizados em dietas ligadas a rotinas de treinamentos e exercícios físicos.

 

Bruno Todeschini / Agencia RBS
Bruno Todeschini / Agencia RBS

Alexandre Guerra é o diretor administrativo e financeiro da Cooperativa Santa Clara. Ele reforça a adaptação ao mercado, mas também aponta o momento do ano como impulsionador do consumo.

— No período de férias, além do próprio verão, há diminuição na procura pelos produtos lácteos. As pessoas mudam seus hábitos, suas rotinas, sem contar no recesso escolar que impacta bastante. A partir de agora, com a retomada natural e, principalmente, a volta às aulas, o consumo volta à normalidade em todas as redes. Somando isso aos meses de março e abril, que historicamente são bons para o produtor em virtude da lei da oferta e da procura, já que há menor produção de leite, é uma oportunidade para o setor recuperar algumas perdas de 2023 — projeta o diretor.

Números da Santa Clara

::: 4.840 associados
::: 2.482 produtores
::: 2.320 funcionários
::: 775 mil litros de leite industrializados por dia
::: Linha com 236 itens
::: Captação de leite em 143 municípios
::: R$ 150 milhões repassados aos associados em 10 anos

Nova gestão da Piá quer aumentar produção

Os problemas financeiros enfrentados pela Cooperativa Piá, de Nova Petrópolis, nos últimos anos, não impediram a empresa de manter as raízes fortes no setor do leite, e permanecer atenta às oportunidades que o mercado oferece. Desde que assumiu a gestão do grupo, em junho do ano passado, a nova diretoria, representada pelo presidente Jorge Vilson Dinnebier, tem o objetivo claro de recuperar a cooperativa, colocando em dia as contas com fornecedores, principalmente os produtores de leite.

Este novo capítulo em uma história de 57 anos é escrito justamente no que a Piá definiu como prioridade para 2024. A recuperação da credibilidade junto aos associados e fornecedores, de acordo com o Dinnebier, permitirá, inclusive, o aumento da gama de produtos.

—  A estratégia para este ano consiste em buscar mais produtores e, consequentemente, aumentar a produção de leite, focando em produtos de valor agregado, com margem de contribuição mais significativa para a cooperativa e os associados. Essa expansão visa ainda retornar a mais mercados – revela o presidente.

 

Cooperativa Piá / Divulgação
De Nova Petrópolis, Piá está presente em 50% dos municípios gaúchos.Cooperativa Piá / Divulgação

 

Com uma produção diária de 70 mil litros de leite, a Piá atua com um mix de itens que varia de leite UHT até os tradicionais requeijão, nata, iogurtes, doce de leite e doce de frutas. A empresa iniciou 2024 com presença de mercado em mais de 50% das cidades do Rio Grande do Sul. Segundo o presidente, o volume é resultado dos esforços da nova gestão para o retorno às gôndolas dos estabelecimentos gaúchos.

—  Desde que assumimos, em junho de 2023, diversas iniciativas têm sido tomadas visando à reorganização da empresa e para mantê-la competitiva dentro do setor. Assim, temos apostado na diversificação da linha — acrescenta Dinnebier.

Inserida no cenário regional, a cooperativa acompanha os desafios do segmento. Para o presidente, a situação da cadeia leiteira na Serra exige um esforço conjunto dos produtores, das indústrias, do governo e da sociedade para superar os problemas e aproveitar as oportunidades existentes.

— O próprio cooperativismo, com fortalecimento das entidades e valorização dos produtores, pode auxiliar não só na produção, como na comercialização e na conquista de melhores preços — finaliza o presidente da Piá.

Na contramão do setor, família de Caxias empreende com produção de leite

Enquanto muitos produtores desistem da criação de vacas leiteiras e abandonam o segmento, tem gente mudando de vida para apostar justamente no setor, apesar de todas as dificuldades. Desde o final de 2022, os casais Franciele Savaris, 31 anos, e Alan Lorencki, 34, e Jonatan Savaris, 35, e Tânia Echer, 33, acordam todos os dias às 4h30min para começar a lida que dura até de noite, com direito a duas ordenhas no rebanho que atualmente chega a 26 vacas, com 17 vacas em fase de lactação. A família administra a Cabanha Céu Azul, em São José da 4ª Légua, no interior de Caxias do Sul, onde investiram cerca de R$ 1,2 milhão, e também na aquisição de animais e compra de equipamentos.

Vindos dos setores da indústria e serviços, os quatro contam que estão realizados com a nova função. A falta de experiência com a cadeia do leite não impediu a inserção no mundo do agro. E a ousadia tem dado bons resultados. Em pouco mais de um ano de atividade, a propriedade já entrega cerca de 450 litros diários, com variação de até 600 litros. Toda a produção é captada por uma empresa da cidade de Estrela.

 

Bruno Todeschini / Agencia RBS
Alan, Francine, Tânia e Jonatan produzem leite na 4ª Légua, em Caxias.Bruno Todeschini / Agencia RBS

 

— A gente viu no ramo do leite uma certeza de conseguir destinar o produto, ter uma venda segura, o que não existe em outros ramos. Entramos por influência de algumas pessoas e decidimos dar este grande passo. E está valendo a pena. É bem gratificante lidar com os animais. Ainda estamos no começo, ainda aprendendo. Manter as portas abertas é o principal desafio. O retorno está acontecendo, mas os gastos são altos, com financiamento e tudo mais, mas está dando certo — analisa Alan Lorencki, que aos 34 anos é um dos sócios e, junto do cunhado Jonatan, é responsável pela administração e nutrição e manejo dos animais.

O agora pequeno empresário aponta a redução dos custos como grande desafio de sobrevivência do novo empreendimento.

— O ramo oscila muito na questão de valores, o que nos obriga a trabalhar a melhor produção possível dento de um custo aceitável. Administrar os insumos, ter uma silagem de qualidade e reduzir os custos, que é o que mais impacta no fim do mês — acrescenta Lorencki.

 

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Alan (D) alimenta os animais com o sócio Jonatan.Bruno Todeschini / Agencia RBS

Cuidado com os animais como diferencial

Uma vaca com melhor bem-estar produz mais leite e de melhor qualidade. Com esse pensamento, as mulheres responsáveis pela condução do setor de ordenha na Cabanha Céu Azul, hoje completamente mecanizada, praticam o cuidado diário dos animais como prioridade. Desde o trato até higiene com aspersão de água em dose tripla em dias mais quentes, e condições de alimentação e descanso, Franciele e Tânia fazem do carinho a marca do local. Com direito a nome dado a cada um dos animais.

— O nosso diferencial é o amor com elas. Nos preocupamos muito com o bem-estar. É como um pet grande, todas têm o seu nome. E a gente percebe que cada uma tem características, até personalidades próprias. Mantemos a temperatura adequada com a aspersão de duas a três vezes por dia. Elas acabam produzindo mais e sendo mais felizes. Ver as vaquinhas bem torna o trabalho mais leve — analisa Tânia.

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Francine (E) e a sócia Tânia são as responsáveis por dar nome a todas as vacas da propriedade.Bruno Todeschini / Agencia RBS

Pela forma como atendem ao manejo das proprietárias, Manuja, Babalú, Kate, Judite, Cornélia, Chanel, Amora e as demais vacas da cabanha demonstram aprovar o tratamento despendido a elas. Quem quiser acompanhar o dia a dia da família e dos animais pode seguir o trabalho no perfil do instagram @cabanha.ceu.azul.

Sem sucessão familiar, o desafio é se manter ativo

Ao lado da igreja da comunidade de Linha Doze, no interior de Carlos Barbosa, o agricultor Rogério Cichelero toca sozinho a propriedade da família há tanto tempo que dificilmente conseguiria fazer outra coisa da vida. Filho e neto de produtores de leite, aos 55 anos administra a função todos os dias, do manejo dos animais à condução para a ordenha. Com 60 vacas no rebanho, 32 delas atualmente destinadas à lactação, a produção chega aos 21 mil litros por mês (700 litros/dia), oscilando para até 25 mil litros durante o ano. A grande dificuldade narrada por Cichelero é o trabalho pesado e ininterrupto que a função demanda.

— A gente pegou a produção do leite como herança, mas é um trabalho que exige muito. E é preciso gostar do que se faz, porque são 365 dias no ano, sem feriado, sem fim de semana. Para tirar férias, tem de pagar alguém. Esta semana mesmo tivemos um evento aqui na comunidade. Não tem essa de chegar tarde e dormir mais de manhã. Cheguei 1h e às 5h já estava de pé. Neste setor é assim — desabafa o produtor.

 

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Cichelero toca sozinho o serviço diário com as vacas.Bruno Todeschini / Agencia RBS

 

A instabilidade no preço pago pelo litro do leite é mais um fator negativo citado por Cichelero:

— Nunca se sabe quanto vamos ganhar. Não tem um preço base. Antigamente, era safra e entressafra, mas agora a oscilação é bem maior, e não tem como se programar.

Mas nada incomoda mais o agricultor do que a falta de sucessão que pode acarretar no fim da tradição familiar de décadas no segmento. Os mais de 70 anos de setor leiteiro na família ficam em xeque pela dificuldade de convencer os jovens a seguir o trabalho. Pai de uma garota 13 anos, não acredita que, no futuro, ela queira abraçar a função que exerce.

— A sucessão é o grande problema. O jovem hoje tem muita oportunidade de trabalho, ainda mais na nossa região. A gente nota quando a criança demonstra interesse desde cedo. Muitos produtores vão parar. Particularmente, se nada mudar nos próximos anos, para mim também existe esta possibilidade — revela Cichelero.

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Embora o vírus até agora não tenha mostrado nenhuma evidência genética de adquirir a capacidade de se espalhar de pessoa para pessoa, as autoridades de saúde pública estão monitorando de perto a situação da vaca leiteira como parte dos esforços gerais de preparação para a pandemia.

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