ESPMEXENGBRAIND
21 mar 2026
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🧀 Iniciativa com crianças do interior transforma tradição em futuro e reforça a sucessão familiar no campo com aprendizado prático.
👩‍🌾 Com apoio das famílias, crianças produzem queijo e revelam um caminho concreto para a sucessão familiar no campo.
👩‍🌾 Com apoio das famílias, crianças produzem queijo e revelam um caminho concreto para a sucessão familiar no campo.

A sucessão familiar no campo pode começar antes do que se imagina.

Em vez de discursos, mãos pequenas moldando queijo. E, no meio disso tudo, uma descoberta simples: o futuro também se aprende fazendo.

Foi nesse espírito que a 32ª Expobel, em Francisco Beltrão (PR), ganhou um de seus momentos mais simbólicos com o 1º Prêmio de Queijos Coloniais do Clube da Bezerra. A iniciativa colocou crianças no centro da produção, conectando tradição, família e aprendizado em uma experiência prática que vai além de uma competição.

Promovido pela Secretaria Municipal de Agricultura, em parceria com o Clube da Bezerra e com apoio de instituições como UTFPR, Cresol e Rumo, o projeto reuniu 19 jovens produtores — todos filhos de agricultores e produtores de leite. Cada participante produziu o próprio queijo em casa, utilizando leite da propriedade da família.

O processo não ficou restrito ao resultado final. Durante cerca de 30 dias de maturação, as crianças acompanharam todas as etapas: preparo, formação da massa, prensagem e cura. Fotos e vídeos enviados pelas famílias registraram o percurso, enquanto equipes técnicas visitaram as propriedades para acompanhar de perto a evolução.

A proposta, segundo a organização, foi criar vínculo desde cedo com o campo e com a transformação da matéria-prima — um ponto-chave quando se fala em sucessão familiar no campo. Mais do que ensinar a produzir, a iniciativa expôs as crianças ao valor agregado da atividade, aproximando-as da lógica produtiva e do papel da família nesse processo.

A vencedora foi Júlia Ariati, de 8 anos, da comunidade Nova Secção. Com apoio direto da família, especialmente da avó, ela participou de todas as etapas da produção. “Meu pai tirou o leite da minha vaca e a minha avó ajudou no preparo”, contou, descrevendo o passo a passo com naturalidade.

Pelo primeiro lugar, Júlia recebeu R$ 1.500. Questionada sobre o que faria com o prêmio, respondeu com leveza: “Não faço a mínima ideia”. A resposta, espontânea, resume o tom do evento — menos sobre recompensa imediata e mais sobre experiência, pertencimento e construção de identidade rural.

Cada criança recebeu uma forma própria para produzir o queijo inscrito na competição, reforçando o caráter educativo da ação. Na prática, o prêmio funcionou como uma ponte entre gerações: saberes tradicionais transmitidos no cotidiano da família, agora estruturados em uma atividade que valoriza o aprendizado.

Mais do que um evento pontual, a iniciativa evidencia como estratégias simples podem estimular a permanência no campo. Ao integrar crianças no processo produtivo de forma concreta, a sucessão deixa de ser um tema abstrato e passa a fazer parte da rotina — quase naturalmente.

No fim, o queijo é só o começo.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de  Diário do Sudoeste

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