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18 fev 2026
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🔎 Disputa envolve lâminas metálicas usadas em leite em pó e sardinha e coloca ministérios em lados opostos.
⚠️ Indústria alerta para alta média de até 6% nos preços, enquanto governo se divide sobre proteção à produção nacional.
⚠️ Indústria alerta para alta média de até 6% nos preços, enquanto governo se divide sobre proteção à produção nacional.

A taxação sobre a importação de lâminas metálicas utilizadas na fabricação de latas reacendeu uma disputa interna no governo brasileiro, com impacto direto sobre alimentos como leite em pó e sardinha enlatada.

O tema extrapola a esfera industrial e atinge a cesta básica em um ano eleitoral.

No centro do debate está a proposta de impor tarifas sobre folhas metálicas importadas, medida defendida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, comandado por Geraldo Alckmin. O argumento é proteger a produção nacional diante da alegada prática de dumping na compra de aço estrangeiro, além de mitigar riscos à indústria brasileira.

A principal beneficiária da medida seria a CSN, que detém o monopólio da produção dessas lâminas no país. Segundo a empresa, a concorrência com aço importado ameaça a sustentabilidade da produção doméstica. Fabricantes de latas, porém, contestam a relevância econômica do segmento para a siderúrgica, afirmando que as lâminas representam cerca de 2% do faturamento da companhia.

Do outro lado da discussão, a Abeaço, associação que reúne fabricantes de latas de alumínio com movimentação anual de R$ 26 bilhões, apresentou estudos indicando que a taxação do aço importado pode elevar em até 6% o preço de alimentos como sardinha enlatada. O setor defende a importação de lâminas principalmente da China como forma de manter custos competitivos.

A divisão não se restringe ao setor privado. O Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Ministério da Agricultura posicionaram-se contra a taxação, argumentando que a medida tende a pressionar preços ao consumidor final. A Casa Civil também passou a acompanhar o tema com maior atenção diante do potencial impacto sobre a inflação de alimentos.

Para a cadeia láctea, o desdobramento é sensível. O leite em pó, amplamente comercializado em embalagens metálicas, pode sofrer reajustes caso os custos de insumos subam. Em um cenário de margens já pressionadas, qualquer variação no custo da embalagem altera a competitividade do produto, tanto no mercado interno quanto em exportações.

A decisão deve avançar no início de março, quando o tema será analisado pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior. O desfecho indicará qual vetor prevalecerá na política industrial brasileira: proteção à produção de insumos ou contenção de custos ao consumidor.

Para os tomadores de decisão no setor de alimentos e lácteos, o sinal é claro. A política comercial volta a influenciar diretamente a formação de preços na cadeia, reconfigurando margens e estratégias de suprimento.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de PlatôBR

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