ESPMEXENGBRAIND
28 nov 2025
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Análise mostra como tendências globais influenciam escolhas, rotinas e P&D, do matcha ao champagne 🍵
Consumo jovem, estética digital e compras mais conscientes moldam a nova fase da inovação alimentar. 📊 Tendencias
Consumo jovem, estética digital e compras mais conscientes moldam a nova fase da inovação alimentar 📊

As tendências globais do setor de alimentos e bebidas continuam redefinindo não só o que as pessoas consomem, mas também como as empresas formulam, comunicam e posicionam seus produtos.

Uma análise conduzida por Shauna Moran, líder de insights da empresa internacional de pesquisa de consumidores GWI, revela como três movimentos — sabores globais, reformulação HFSS (açúcar, sal e gordura) e premiumização — estão se consolidando como motores decisivos para o desenvolvimento de novos produtos.

Segundo a executiva, o avanço dos chamados global flavors reflete a combinação de ousadia sensorial, apelo visual e benefícios funcionais, especialmente valorizada pelas gerações mais jovens. Desde o início de 2023, bebidas como matcha e bubble tea registraram aumentos expressivos no consumo, de 19% e 26%, respectivamente. Para Moran, esse salto sinaliza a busca da Geração Z por experiências que unam novidade, sabor e sensação de bem-estar.

A pesquisa indica que cerca de seis em cada dez jovens dessa faixa etária declaram gostar de experimentar bebidas com sabores considerados “novos” ou “incomuns”, como tamarindo ou hibisco, além de ingredientes associados à saúde. A especialista observa que essa abertura ajuda a explicar o crescimento contínuo do leite de aveia, cuja textura cremosa atua como base perfeita para combinar cores, aromas e ingredientes globais.

O apelo visual, amplificado pelas rotinas digitais, também desempenha papel central. Copos com camadas coloridas, espuma aromatizada e ingredientes fotogênicos alimentam a lógica de consumo guiada pelas redes sociais. Moran destaca que, diante disso, cresce o número de consumidores que migram do café tradicional para versões geladas — como iced lattes e frappés — frequentemente enriquecidas com chai, ube ou outros elementos de forte identidade cultural.

Para a analista, “a próxima onda de inovação em bebidas será global”. Marcas capazes de contar histórias, explorar inspirações internacionais e traduzir essas experiências em produtos acessíveis têm vantagem competitiva.

No eixo HFSS, a análise mostra uma mudança importante: os consumidores buscam saúde prática, não restrição rígida. Moran aponta que cresce o interesse por alimentos ricos em proteína ou com probióticos, enquanto opções com teor reduzido de sódio ou totalmente livres de gordura perderam apelo. O açúcar, porém, permanece sob escrutínio: desde 2023, houve aumento de 21% no número de pessoas que afirmam seguir dieta de baixo teor de açúcar.

A executiva explica que isso ocorre porque o açúcar é percebido como algo “adicionado”, especialmente em alimentos ultraprocessados como refrigerantes ou cereais matinais, tornando-se um alvo mais evidente de redução. Em contrapartida, cresce a procura por itens vistos como mais naturais ou “honestos”: 48% dos pesquisados relatam comprar laticínios orgânicos, e 32% priorizam alimentos secos básicos, como arroz e farinha.

Outro dado relevante é o recuo das dietas veganas na Europa e nas Américas. A percepção crescente de que muitos substitutos vegetais são altamente processados tem contribuído para essa queda. Para Moran, a tendência atual é de “melhorar o essencial”, e não de substituir categorias inteiras da alimentação.

Esse movimento abre espaço para produtos premium que comunicam origem, propósito e simplicidade. A pesquisa da GWI mostra que o consumidor está mais seletivo: enquanto alguns apertam o orçamento, outros preferem investir melhor, privilegiando qualidade em vez de quantidade.

No segmento de bebidas alcoólicas, por exemplo, o chamado “efeito batom” se manifesta com força. Desde 2022, houve aumento de 20% na compra de champagne, acompanhado de uma valorização de fatores como exclusividade (alta de 15%) e sinalização de status (crescimento de 35%) no momento da escolha.

Curiosamente, o público de baixa renda aparece como o mais propenso a comprar produtos premium com regularidade, usando essas escolhas como forma de elevar experiências cotidianas. Já os Millennials lideram o consumo dentro dessa categoria, movidos pela ideia de autocuidado e por compras mais intencionais.

Para conquistar esse tipo de cliente, Moran afirma que a chave é criar produtos que ofereçam sensação de pertencimento e acolhimento, sem perder o toque de exclusividade. E aí entram oportunidades para edições limitadas, colaborações criativas, formatos artesanais e embalagens que transmitam valor, autenticidade e emoção.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Reporter

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