Uma queijaria artesanal em Cantagalo passou de 2,3 mil para cerca de 7 mil litros de leite processados por mês.
A mudança veio depois de um ciclo de capacitação técnica e, segundo o relato, tirou o negócio de um período de estagnação. O caso ajuda a entender como agregar valor dentro da propriedade pode mudar a escala de uma pequena operação leiteira.
Por trás dos números estão Solange Liller e Ordilei Dufech Sousa, que trocaram trabalhos urbanos pela vida no campo com o objetivo de mudar completamente de rotina. Assumiram a propriedade priorizando o cuidado com os animais e a gestão eficiente, e superaram a fase inicial com trabalho contínuo. A decisão, nesse caso, exigiu coragem, planejamento e dedicação de toda a família.
A falta de conhecimento técnico costuma limitar a expansão de pequenos produtores, e foi nesse ponto que o suporte do Sistema FAEP/SENAR-PR se mostrou decisivo. Os treinamentos constantes sobre manipulação correta ajudaram o casal a modernizar os métodos de fabricação e a aprimorar as receitas. O resultado foi a qualidade necessária para competir com mais força no mercado.
Vender apenas leite in natura costuma restringir as margens do produtor familiar. A estruturação da marca Tia Nena Produtos Coloniais viabilizou o salto de volume ao transformar o leite em derivados coloniais, que passaram a abastecer novos pontos de venda com produtos valorizados pelo consumidor. O retorno financeiro cresceu junto.
A maior demanda trouxe outro desafio: manter a padronização e o sabor autêntico dos derivados, o que exigiu disciplina operacional. Ao absorver volumes expressivos de leite na própria queijaria, a família consolidou uma estrutura rentável, reduziu vulnerabilidades e elevou sua segurança financeira.
Os ganhos práticos aparecem em três frentes: mais faturamento por litro trabalhado, autonomia comercial sem depender unicamente de atravessadores e uma linha de produtos mais diversificada para o mercado regional.
O reconhecimento veio no Prêmio Queijos do Paraná, onde a queijaria conquistou três selos Super Ouro. Consumidores e estabelecimentos comerciais valorizam produtos avaliados por jurados que atestam sabor, textura e procedência, e essa chancela ajudou a abrir portas para a expansão das vendas.
Os efeitos das premiações se somam: atraem novos clientes e lojistas interessados em produtos diferenciados, fortalecem a marca diante da concorrência no segmento de queijos coloniais e estimulam a manutenção do padrão em todas as etapas da produção.
A trajetória de Cantagalo sugere que, para pequenos produtores, multiplicar a rentabilidade pode depender mais de método, capacitação e processamento do que de ampliações territoriais desmedidas. O queijo, nesse desenho, aparece como um caminho viável para manter a família no campo com perspectivas de futuro.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Brasil 247






