ESPMEXENGBRAIND
20 jan 2026
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🧀 Produtos de búfala saem do nicho, atraem a indústria e despertam curiosidade do consumidor brasileiro.
🤔 Mais presentes no dia a dia, carne e leite de búfala deixam de ser raridade
🤔 Mais presentes no dia a dia, carne e leite de búfala deixam de ser raridade.

O leite de búfala e a carne do animal já não são mais apenas itens exóticos ou restritos a regiões específicas do Brasil.

Aos poucos, esses produtos passaram a ocupar espaço nas gôndolas dos supermercados, em queijarias artesanais e até em açougues que apostam em cortes diferenciados. Para muitos consumidores, a primeira reação ainda é a curiosidade: afinal, o que muda em relação aos produtos tradicionais e por que eles estão aparecendo agora?

A resposta começa no campo, mas chega direto ao prato. Nos últimos anos, a criação de búfalos no Brasil entrou em um ciclo de crescimento sustentado, acompanhado pelo aumento da oferta de leite e carne. Segundo a Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), o rebanho bubalino nacional cresceu cerca de 20% na última década, movimento que ajudou a tirar esses produtos do nicho e aproximá-los do consumo cotidiano.

No caso dos lácteos, o avanço é visível para quem percorre os corredores refrigerados dos supermercados. Além da tradicional muçarela de búfala, surgiram manteigas, cremes de leite, queijos frescos e até versões sem lactose. Em 2024, os laticínios brasileiros receberam aproximadamente 20,4 milhões de litros de leite de búfala, volume quase 20 vezes maior do que o registrado em 2001, quando a captação foi de cerca de 1 milhão de litros. Desde então, o crescimento médio anual é estimado em 13,67%, de acordo com a ABCB.

Essa expansão ajudou a atrair investimentos e novos produtos. Um dos exemplos mais recentes foi o lançamento do primeiro leite de búfala em pó produzido no Brasil, iniciativa da empresa Bom Destino, de Oliveira (MG). A proposta é ampliar as formas de consumo e facilitar o uso do ingrediente tanto pela indústria quanto pelo consumidor final, indo além dos queijos.

Outro sinal de que o leite de búfala entrou de vez no radar da indústria foi a aquisição da Levitare, especializada em derivados bubalinos, pelo Laticínios Tirolez, em outubro do ano passado. Para Simon Riess, presidente da ABCB, movimentos desse tipo indicam que grandes empresas passaram a enxergar potencial de escala e mercado nesse segmento. “O crescimento existe, mas o desafio é organizar melhor a cadeia para acompanhar a demanda”, avalia.

Para quem produz, o cenário mistura entusiasmo e ajustes. No Vale do Ribeira, no Paraná, o produtor Wellington Paris iniciou a criação de búfalos há quatro anos e hoje trabalha com 55 matrizes. Ele adotou um sistema de inseminação escalonada para manter produção de leite durante todo o ano. “O consumo cresce, mas ainda precisamos reduzir custos para aumentar a rentabilidade”, afirma. O leite da propriedade é destinado à produção de muçarela, manteiga e outros derivados.

Se nos lácteos a aceitação é mais rápida, na carne o caminho é um pouco mais longo. Embora o consumo esteja em expansão, a carne de búfalo ainda enfrenta barreiras culturais. Em muitas regiões, ela chega ao consumidor sem identificação específica, sendo comercializada como carne bovina. Para a ABCB, isso dificulta a construção de uma identidade própria junto ao público.

“Ainda existe a ideia de que a carne de búfalo é mais dura por se tratar de um animal rústico. É preciso mostrar que se trata de uma carne saborosa, saudável e produzida de forma sustentável”, afirma Riess. Segundo ele, a educação do consumidor é tão importante quanto o aumento da oferta.

Os números mostram que há base para essa estratégia. Dados do IBGE indicam que o Brasil contava com cerca de 1,8 milhão de cabeças de búfalos em 2024. O Pará lidera o ranking, com 775 mil animais, concentrados principalmente na produção de carne. Já no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, o foco tem sido o desenvolvimento de mercado e a valorização de cortes premium.

É nesse contexto que produtores como Rogério Gonçalves, de Rosário do Sul (RS), apostam na diferenciação. Atuando na bubalinocultura desde a década de 1970, ele lançou no ano passado a linha Baby Buf Premium, com cortes especiais de carne de búfalo. Após estrear em Porto Alegre e Caxias do Sul, a marca busca consolidar presença na Serra Gaúcha. Hambúrgueres e linguiças completam o portfólio, aproveitando cortes de menor valor agregado.

Segundo Gonçalves, práticas como o abate de animais jovens, antes dos 20 ou 22 meses, garantem maciez e suculência, características que ajudam a conquistar novos consumidores. Para o setor como um todo, iniciativas como pesquisas em melhoramento genético e o selo de pureza da ABCB para derivados do leite de búfala reforçam a confiança e ajudam a explicar por que esses produtos, antes raros, estão cada vez mais presentes no dia a dia dos brasileiros.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de O Globo

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