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6 abr 2026
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🥄 Com produção enxuta, família transforma leite em doces artesanais que já chegam a vários estados do Brasil
Doce de leite artesanal feito no fogão a lenha ganha espaço em feiras e amplia mercado com envios pelo país
Doce de leite artesanal feito no fogão a lenha ganha espaço em feiras e amplia mercado com envios pelo país.

O doce de leite artesanal pode nascer simples, no fogo baixo e no tempo certo — mas, nas mãos certas, ganha o país.

Em Terenos, no Mato Grosso do Sul, uma pequena produção familiar mostra como tradição e estratégia podem caminhar juntas para transformar leite em renda e reconhecimento.

No Assentamento São Pedro do Sul, a rotina da produtora Sônia Barros começa cedo e gira em torno de um único ingrediente: o leite. Com apenas 11 vacas leiteiras, ela encontrou uma forma de agregar valor à produção ao transformar a matéria-prima em doces, queijos e requeijão, evitando vender o leite in natura.

A decisão foi prática e estratégica. “Eu preciso transformar o leite em algo que tenha mais valor”, resume. A virada aconteceu em 2018, quando ela passou a estruturar a produção de doces artesanais, atividade que surgiu de forma espontânea e foi ganhando escala com o tempo.

Hoje, o carro-chefe é o doce de leite com limão — combinação pouco comum que se tornou diferencial competitivo. A receita nasceu de uma troca com outra doceira durante uma viagem a Goiânia e foi sendo ajustada até conquistar o paladar dos clientes. Além dessa versão, o portfólio inclui doce de leite puro, com coco, mamão, abóbora e variações cristalizadas, muitas delas influenciadas pela sazonalidade das frutas.

O processo de produção mantém características tradicionais. Preparar um doce de leite em barra pode levar cerca de quatro horas no fogão a lenha, reforçando o apelo de produto artesanal. Esse cuidado, aliado ao sabor caseiro, tem sido um dos principais fatores de fidelização.

A operação envolve toda a família. Ao lado do marido e do filho, Sônia divide tarefas e consolida um modelo típico da agricultura familiar, em que produção e gestão caminham juntas. Antes dos doces, a renda vinha da horticultura, com cultivos como abobrinha, quiabo e melancia. A mudança para derivados lácteos trouxe maior estabilidade financeira e abriu novas oportunidades comerciais.

As feiras e eventos regionais desempenharam papel decisivo na expansão. Mais do que canais de venda, funcionam como vitrines para validação do produto e construção de marca. “Vender é a parte mais difícil, então sair com a mala vazia é o objetivo”, afirma.

Foi nesse circuito que os produtos começaram a ultrapassar fronteiras locais. Hoje, os doces já chegaram a diferentes estados do Brasil, incluindo a Bahia, muitas vezes por meio de encomendas feitas por clientes que conheceram o produto presencialmente. Mais recentemente, a produtora passou a investir também no envio pelos Correios, ampliando o alcance sem necessidade de presença física.

Com preços a partir de R$ 8, a estratégia inclui desde porções individuais até formatos maiores, atendendo diferentes perfis de consumo — de quem busca experimentar até quem procura levar o produto como presente.

O caso mostra, em escala reduzida, um movimento maior: transformar o leite em produtos de maior valor agregado não é apenas uma alternativa, mas uma via concreta para pequenos produtores ampliarem renda e mercado. E, às vezes, tudo começa com uma panela no fogo e uma receita que carrega memória.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de MS NEWS

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