A tendência no mercado de leite é de um primeiro semestre com maior oferta em relação a 2022, tanto pelo fraco volume de matéria-prima registrado no ano passado como pelo efeito inercial da produção mais elevada nos últimos meses.
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Embrapa | “Os custos de produção, apesar do clima pior na Argentina e no Sul do Brasil, com impactos negativos na produção de milho e soja, devem estar mais acomodados em relação ao que se viu nos últimos dois anos”, diz a publicação, divulgada nessa segunda-feira.

Além disso, pontua o boletim, os mercados de energia e fertilizantes devem contribuir para menor pressão nos custos. “Do ponto de vista da demanda, não se espera grandes avanços, mas a menor inflação dos laticínios tende a contribuir para a recuperação do consumo.

As margens tendem a continuar apertadas e o setor deverá seguir o movimento de consolidação em curso. Dessa forma, sugere-se cautela em 2023.”

MERCADO DE LEITE E DERIVADOS – JANEIRO DE 2023

“A cadeia produtiva do leite apresentou dois semestres distintos no ano de 2022. No primeiro semestre verificou-se menor oferta de leite, com recuo recorde na produção nacional e pouca importação.

Como consequência, houve elevação dos preços em toda a cadeia produtiva e inflação histórica para o setor. Já no segundo semestre, a situação se inverteu. O aumento do custo de vida das famílias, especialmente por conta dos alimentos, manteve o consumo em baixa.

Por outro lado, o início do período de safra a partir de agosto/setembro, o estímulo de preços e a maior rentabilidade proporcionados aos produtores, permitiram a recuperação da produção doméstica.

Somado a isso, houve um incremento significativo das importações, que se aproximou de 10% da produção nacional em setembro/22. O resultado foi uma forte desaceleração dos preços do leite e derivados. A cotação ao produtor recuou R$1/litro entre agosto e dezembro, fechando o ano em R$ 2,52/litro, segundo o Cepea.

A economia brasileira finalizou 2022 com estimativa de crescimento de 3%. Foi um ano em que a taxa de desemprego recuou, a inflação desacelerou e o setor de serviços voltou a crescer, após as restrições com a pandemia.

Houve também um bom desempenho dos investimentos privados, na esteira de concessões na área de infraestrutura. O grande motor da economia foi o agronegócio. Com boa safra de grãos e exportações, o agronegócio seguiu avançando, apesar da alta nos custos com insumos.

Mas, e para 2023, o que podemos esperar? Por enquanto, ainda incertezas. Do ponto de vista global, o cenário de crescimento segue fraco com desaceleração da Europa e dos Estados Unidos, impactados negativamente por inflação elevada e necessidade de elevação nas taxas de juros.

Existe, inclusive, risco de recessão em alguns países. Estima-se que a China deve ter encerrado 2022 com um crescimento em torno de 3% e segue com dificuldades para estancar o avanço da Covid-19.

Este cenário deve seguir ainda complicado em 2023, com expansão econômica chinesa entre 3% e 4%, um patamar baixo, considerando o histórico deste país asiático. Assim, as commodities metálicas e energéticas devem perder valor, o que atrapalha o crescimento brasileiro.

As commodities agrícolas devem registrar certa estabilidade nos preços, e a contribuição para o crescimento brasileiro será menor que a observada nos últimos dois anos.

O aumento das taxas de juros do crédito ao consumidor pode inibir o consumo das famílias. A alta da inflação nos últimos dois anos, com forte elevação em alimentos, pressionou negativamente a disponibilidade de renda e aumentou o endividamento.

 

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A população de menor renda inicia 2023 endividada e com custo de crédito mais alto. Com um crescimento econômico mais fraco projetado para 2023 (o relatório Focus indica 0,8%), a expansão no emprego tende a perder ritmo, o que de fato já está acontecendo.

Assim, o país terá enfrentará desafios para o crescimento econômico em 2023 : juros mais altos, commodities perdendo valor e menor crescimento internacional.

Neste cenário, a criação de um ambiente de expectativas positivas que mantenha a economia na trajetória de crescimento, pode garantir o aumento do consumo das famílias.

No mercado de leite, a tendência é de um primeiro semestre com maior oferta em relação a 2022. Isso tanto pelo fraco volume de leite registrado no ano passado como pelo efeito inercial da produção mais elevada nos últimos meses.

Os custos de produção, apesar do clima pior na Argentina e Sul do Brasil, com impactos negativos na produção de milho e soja, devem estar mais acomodados em relação ao que se viu nos últimos dois anos.

Além disso, os mercados de energia e fertilizantes também devem contribuir para menor pressão nos custos. Do ponto de vista da demanda, não se espera grandes avanços, mas a menor inflação dos laticínios tende a contribuir para a recuperação do consumo.

As margens tendem a seguir apertadas e o setor deverá seguir o movimento de consolidação em curso. Dessa forma, sugere-se cautela em 2023.”

 

 

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Tendências recentes reforçam a necessidade de os agentes do setor compreenderem e se adaptarem às novas demandas, promovendo produtos lácteos que unam saúde e sabor, ao mesmo tempo em que valorizem a acessibilidade e o fator qualidade.

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