O Brazil Trade Lounge abriu uma nova frente para empresas do agronegócio brasileiro que ainda não exportam ou estão nos primeiros passos do comércio exterior.
A iniciativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) selecionará produtos com forte identidade nacional para participação na Sial Paris 2026, uma das maiores feiras globais de alimentos e bebidas, programada para outubro, na França.
Desenvolvido com apoio do Conselho Brasileiro das Empresas Comerciais Importadoras e Exportadoras (CECIEx), o programa foi estruturado para atender companhias sem operação própria de exportação. O modelo funciona como uma ponte entre produtores e compradores internacionais ao utilizar a expertise das Empresas Comerciais Exportadoras (ECEs), reduzindo riscos operacionais e custos típicos da entrada em novos mercados.
A iniciativa será executada em duas etapas. Na fase nacional, as empresas selecionadas participam de rodadas de negócios on-line com as ECEs entre os dias 13 e 17 de abril. Já na segunda etapa, os produtos aprovados passam a ser representados por essas comerciais exportadoras em um espaço exclusivo do Brazil Trade Lounge dentro da Sial Paris 2026, que ocorrerá de 17 a 21 de outubro.
Nesta edição, a ApexBrasil direciona o foco para cadeias com maior potencial de agregação de valor. Estão entre os setores prioritários o processamento de alimentos, refeições prontas, produtos congelados, bebidas, orgânicos, itens ligados ao bem-estar, frutas, vegetais, grocery e carnes. O recorte privilegia produtos com diferenciais em sustentabilidade, saudabilidade e identidade brasileira — atributos cada vez mais demandados por compradores globais.
Podem se inscrever empresas de todas as regiões do país, desde que sejam não exportadoras ou iniciantes. A agência também destaca atenção especial às companhias que já passaram pelo Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), voltado à capacitação técnica e estratégica para acesso estruturado a mercados internacionais.
Mais do que garantir presença em uma feira relevante, o Brazil Trade Lounge surge como um ambiente controlado para testar aderência de portfólio, calibrar posicionamento e observar padrões de demanda antes de investimentos mais robustos em internacionalização. Na prática, o formato permite que empresas avaliem competitividade, ajustem embalagens, certificações e propostas de valor com base em feedback direto de compradores.
O movimento ocorre em um contexto de margens pressionadas e competição crescente no setor de alimentos, cenário que tem levado agroindústrias a buscar diversificação geográfica como mecanismo de resiliência. Ao transferir parte da complexidade comercial para exportadoras especializadas, o programa reduz barreiras de entrada e encurta o tempo necessário para que marcas brasileiras ganhem exposição internacional.
Para empresas em fase de expansão, a estratégia também oferece uma alternativa para acessar canais externos sem a necessidade imediata de estruturar equipes dedicadas, redes logísticas próprias ou inteligência comercial avançada. Trata-se de um caminho gradual de aprendizado, no qual a validação de demanda pode orientar decisões futuras sobre escala produtiva e presença global.
Nesse contexto, o Brazil Trade Lounge se posiciona como uma ferramenta prática de inserção internacional, ampliando o leque de oportunidades para que produtores e agroindústrias avancem com maior previsibilidade em um mercado cada vez mais orientado por diferenciação e valor agregado.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Empallador






