O acordo de livre comércio Índia–Nova Zelândia tornou-se um tema central no debate político do país, com o governo buscando apoio do Partido Trabalhista para garantir a ratificação parlamentar.
Embora o acordo seja apresentado como estratégico para ampliar o acesso ao mercado indiano, o setor lácteo deve obter ganhos limitados, mantendo apenas alguns fluxos comerciais já existentes.
O ministro de Comércio Exterior, Todd McClay, afirmou que mantém conversas consideradas construtivas com Damien O’Connor, porta-voz de comércio do Partido Trabalhista, para esclarecer detalhes técnicos do acordo. Segundo o ministro, autoridades do governo também foram disponibilizadas para ajudar o partido a analisar o texto completo e suas implicações.
O apoio trabalhista é considerado essencial para a aprovação. Winston Peters, do NZ First, já declarou que votará contra o acordo, alegando que ele não representa um bom resultado para o país. Entre suas preocupações estão as disposições relacionadas à imigração.
A liderança trabalhista indicou que pode apoiar o acordo, mas condiciona essa decisão a esclarecimentos sobre pontos específicos. Em carta enviada ao primeiro-ministro Christopher Luxon, o líder do partido, Chris Hipkins, solicitou acesso ao texto completo e sem redações do acordo e afirmou que o partido está disposto a agir no melhor interesse econômico da Nova Zelândia.
Entre as questões levantadas estão mecanismos de proteção contra exploração de trabalhadores migrantes e escravidão moderna, aumento do número de agentes de fiscalização e medidas para reduzir a dependência de trabalhadores estrangeiros em relação a empregadores específicos. Também foram mencionadas preocupações sobre disposições que poderiam ampliar o fluxo de estudantes internacionais.
Ao mesmo tempo, o Partido Trabalhista declarou reconhecer a contribuição dos trabalhadores migrantes para a economia e afirmou não ter objeções à emissão de 1.667 vistos temporários de trabalho previstos no acordo. A legenda também aceita o direito desses trabalhadores de trazer parceiros e filhos dependentes ao país, alinhando-se às políticas migratórias atuais.
Para o governo, a ratificação rápida do acordo pode ter implicações comerciais relevantes. Uma cláusula prevê que, caso outro parceiro comercial obtenha condições mais favoráveis da Índia para um determinado produto da Nova Zelândia, o país poderá reivindicar tratamento equivalente.
Essa possibilidade ganha importância após a conclusão de um acordo entre União Europeia e Índia no final de janeiro, atualmente em processo político de ratificação. Um dos setores que poderia se beneficiar dessa cláusula é o vinho, caso os europeus obtenham condições mais favoráveis no mercado indiano.
No caso do setor lácteo, McClay reconhece que a indústria esperava maior acesso ao mercado da Índia. O ministro afirmou que isso pode representar uma oportunidade perdida para os consumidores indianos. No entanto, destacou que os acordos assinados recentemente pelos Estados Unidos e pela União Europeia também não conseguiram condições mais amplas para produtos lácteos.
Apesar disso, a Nova Zelândia continua exportando determinados produtos ao mercado indiano, especialmente fórmula infantil. Segundo o governo, o acordo ainda deixa aberta a possibilidade de ampliar o acesso no futuro.
Para a cadeia láctea, o resultado final da ratificação terá menos impacto imediato em volumes de exportação e mais relevância estratégica. A negociação define as bases institucionais do relacionamento comercial com um mercado de grande escala e pode influenciar futuras rodadas de acesso a produtos agroalimentares.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de RNG






