Uma campanha de lácteos liderada por associações municipais no oeste de Santa Catarina busca estimular o consumo de leite e derivados como parte de uma estratégia para apoiar a cadeia produtiva em um momento de crise enfrentado pelos produtores rurais.
A iniciativa, intitulada “Inclua Lácteos na sua Alimentação!”, foi organizada pela Associação dos Municípios do Extremo-Oeste de Santa Catarina (Ameosc) em parceria com outras seis associações municipais do estado. O objetivo central é valorizar a produção leiteira regional e incentivar a população a aumentar o consumo de produtos lácteos.
De acordo com o secretário executivo da Ameosc, Airton Fontana, a campanha destaca os benefícios nutricionais do leite e seus derivados. O slogan adotado reforça essa abordagem ao enfatizar que leite, queijo e iogurte são fontes de cálcio e proteína e fazem bem para a alimentação diária.
A ação busca sensibilizar consumidores sobre o papel nutricional desses alimentos e fortalecer a presença dos lácteos na dieta das famílias catarinenses. Para as entidades envolvidas, estimular a demanda interna pode contribuir para aliviar parte das dificuldades enfrentadas pelos produtores.
Segundo Fontana, a campanha surge em um momento considerado estratégico, diante da atual crise que atinge o setor leiteiro. Nesse contexto, o incentivo ao consumo é apresentado como uma das medidas voltadas a apoiar a cadeia produtiva.
Além da mobilização junto ao público, as associações de municípios também articulam uma agenda de reivindicações direcionada aos governos federal e estadual. A campanha de estímulo ao consumo faz parte desse conjunto de propostas voltadas a enfrentar a crise do leite.
No total, a pauta apresentada pelas entidades reúne nove medidas. Entre elas está a ampliação do enquadramento de produtores no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com sugestão de aumento do rebate na composição da renda oriunda do leite. A proposta indica um rebate de 90% na renda bruta da atividade, considerando que poucos produtores teriam obtido renda líquida de 10% nos últimos anos.
Outra demanda é a redução de 50% da carga tributária sobre insumos, equipamentos, máquinas e serviços utilizados na produção leiteira primária. As associações também defendem a criação de programas de aquisição de leite e derivados por órgãos federais, estaduais e municipais.
A agenda inclui ainda medidas relacionadas ao comércio e à competitividade do setor. Entre elas estão a fiscalização de práticas de dumping, auditorias nos certificados de importação e controle na rotulagem de produtos importados com as mesmas exigências aplicadas aos nacionais. Também foi sugerida a perda de incentivos fiscais para empresas que importam lácteos.
No âmbito de políticas públicas já existentes, as entidades pedem a manutenção e ampliação do Programa Mais Leite Saudável, do governo federal, e do Programa Leite Bom Santa Catarina, mantido pelo governo estadual.
Outro ponto da pauta é a equalização da carga tributária sobre produtos lácteos em Santa Catarina em relação aos demais estados da região Sul, como Paraná e Rio Grande do Sul.
Dentro desse conjunto de ações, a campanha de lácteos voltada ao consumidor aparece como uma ferramenta complementar. A iniciativa procura valorizar os benefícios à saúde associados ao consumo de leite e derivados de qualidade enquanto reforça o apoio à cadeia produtiva regional.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Rede Peperi






