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12 maio 2026
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📉 Economistas veem leite e derivados entre os itens com repasse mais rápido dos choques de custos e clima.
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🌧️ Risco de El Niño forte e fertilizantes mais caros já muda a leitura do mercado para alimentos e lácteos.

A inflação dos alimentos voltou ao centro das preocupações do mercado e o leite aparece entre os segmentos mais sensíveis à nova rodada de pressão sobre custos.

Depois de uma dinâmica considerada mais benigna em 2025, economistas já trabalham com a possibilidade de dois anos consecutivos de alimentos subindo acima do IPCA, em um cenário que combina fertilizantes mais caros, petróleo elevado e risco climático.

Entre os grupos com transmissão mais rápida dos choques para os preços ao consumidor estão leite e derivados, além de carnes, aves e ovos, panificados e óleos e gorduras. Segundo estudo citado pela Warren Investimentos, esses itens têm capacidade de repassar aumentos em até um mês após o impacto inicial.

A preocupação não está restrita ao curto prazo. Parte relevante das análises já começa a mirar 2027, especialmente porque o avanço dos custos agrícolas pode coincidir com um possível El Niño forte em 2026. O evento climático, segundo economistas ouvidos pelo Broadcast, teria potencial para pressionar ainda mais os preços dos alimentos caso ocorra junto ao período seco no Sudeste e afete fases críticas da produção agrícola.

Para a cadeia láctea, o efeito aparece em duas frentes. A primeira está ligada ao aumento dos custos logísticos e energéticos, associados à alta do petróleo. A segunda vem do encarecimento dos fertilizantes, que já preocupa produtores rurais e empresas do agronegócio.

O estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, afirmou que clientes do agronegócio já tentam travar preços de fertilizantes em patamares mais altos. Segundo ele, parte do impacto reduz margens e outra parte tende a ser repassada ao consumidor final.

Na avaliação da estrategista de inflação da Warren, Andréa Angelo, alimentos in natura capturam rapidamente os efeitos dos fertilizantes mais caros. Já o impacto sobre grãos e commodities pode ganhar mais força entre 2026 e 2027, dependendo do comportamento da próxima safra.

O risco climático amplia ainda mais a atenção do mercado. Caso o El Niño evolua para um quadro forte e coincida com déficit hídrico durante a segunda safra de milho, o impacto sobre a inflação de alimentos pode se intensificar. Economistas citados na reportagem avaliam que a inflação acumulada de alimentação em 12 meses poderia alcançar 10% ainda este ano em um cenário mais extremo.

Os dados também reforçam o peso estrutural da alimentação nos índices de inflação brasileiros. O grupo de alimentação e bebidas representa 21,3% do IPCA e 24,3% do INPC, indicador mais ligado às famílias de menor renda.

Para empresas da cadeia láctea, o cenário desenha uma combinação delicada entre custos mais altos, risco climático e possibilidade de perda de poder de compra do consumidor. O mercado ainda não trata esse quadro como cenário-base definitivo, mas o tema já entrou no radar das projeções para os próximos dois anos.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Money Times

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