ESPMEXENGBRAIND
10 mar 2026
ESPMEXENGBRAIND
10 mar 2026
O skyr islandês virou febre nutricional: mais proteína, menos lactose e uma história que começa no ano 874 🧊
Parece iogurte, mas é queijo: o skyr mistura tradição viking com ciência da nutrição moderna. 🥣
Parece iogurte, mas é queijo: o skyr mistura tradição viking com ciência da nutrição moderna 🥣

O skyr virou um dos alimentos mais comentados nas dietas saudáveis atuais — mas a história dele começa há mais de mil anos.

Esse produto tradicional da Islândia surgiu por volta de 874, quando colonos noruegueses precisavam de alimentos densos em nutrientes para enfrentar o clima extremo da ilha.

Apesar da aparência lembrar um iogurte grego muito cremoso, o skyr não é tecnicamente um iogurte. Na verdade, trata-se de um queijo fresco fermentado e batido, produzido a partir de leite desnatado e coalho. O processo inclui fermentação láctica e uma etapa rigorosa de coagem que remove grande parte do soro.

Esse detalhe faz toda a diferença: para produzir um pote de skyr, são necessários três a quatro vezes mais leite do que para um iogurte convencional. O resultado é um alimento muito mais concentrado em proteína e com textura espessa.

Hoje, o produto ganhou espaço nas prateleiras de supermercados europeus e entrou no radar de nutricionistas esportivos e pesquisadores de metabolismo. Parte do sucesso está nos rótulos curtos: nas versões mais tradicionais, bastam dois ingredientes — leite pasteurizado e fermento láctico.

Do ponto de vista nutricional, o interesse científico é claro. Uma porção típica fornece entre 11 e 19 gramas de proteína, quase o dobro de um iogurte natural comum, enquanto o teor de gordura permanece praticamente inexistente (entre 0% e 0,5%).

O processo de fermentação também reduz significativamente a lactose. Estima-se que cerca de 90% desse açúcar seja removido, o que permite que muitas pessoas com intolerância leve consumam o alimento sem desconforto digestivo.

Além disso, o skyr oferece micronutrientes importantes. Uma porção de 150 gramas pode fornecer 15% a 20% da ingestão diária recomendada de cálcio e cerca de 19% da vitamina B2 (riboflavina).

Os efeitos no corpo também despertam curiosidade. Suas proteínas são ricas em leucina e aminoácidos essenciais, que ajudam a estimular a síntese muscular e preservar massa magra — algo especialmente relevante em dietas de controle de peso ou envelhecimento saudável.

Em um experimento realizado pela Universidade de Aarhus, na Dinamarca, em 2024, pesquisadores compararam dois cafés da manhã: pão com geleia e uma tigela de skyr com aveia. O resultado foi surpreendente: a opção com skyr promoveu maior saciedade e melhor concentração mental durante a manhã.

Mesmo assim, especialistas fazem um alerta. Nem todo produto com a palavra “skyr” no rótulo mantém o perfil tradicional. Algumas versões industrializadas — como sorvetes feitos com skyr — podem esconder xaropes e açúcares adicionados.

Quatro vezes mais leite para produzir um único pote.
Um alimento simples criado para sobreviver ao frio.
Basicamente: os vikings já faziam “superfood” sem saber.

No fim das contas, o fenômeno não parece ser apenas moda alimentar. O sucesso global do skyr mostra algo curioso: às vezes, as tendências nutricionais mais modernas apenas redescobrem aquilo que culturas antigas já sabiam há séculos.

Os vikings talvez não falassem de proteínas ou metabolismo — mas aparentemente estavam no caminho certo.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Xataka

Te puede interesar

Notas Relacionadas

Faça login na minha conta