32,1 mil toneladas. Esse é o volume de queijos artesanais de Minas produzido em 2025 no estado. Um número grande para algo que, no fundo, começa pequeno: leite, mãos e tradição.
No fim das contas, dá para dizer que Minas não produz só queijo — produz histórias que derretem fácil.
Os queijos artesanais de Minas ganharam agora um novo registro cultural. A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) lançou o livro Queijos Artesanais de Minas, uma publicação que percorre o estado contando histórias de quem transformou a produção tradicional em modo de vida.
O projeto levou dois anos para ficar pronto. Nesse período, a equipe visitou 16 regiões produtoras e entrevistou 96 produtores, registrando relatos que misturam tradição familiar, trabalho no campo e forte identidade regional.
As histórias foram escritas pelas jornalistas Carolina Daher e Ana Sandim, com fotografias de Magê Monteiro e Ignácio Costa. A coordenação do trabalho ficou a cargo da Equipe de Queijos Artesanais da Emater-MG.
Segundo o presidente da Emater-MG, Otávio Maia, o livro busca valorizar um dos produtos mais emblemáticos do estado. Para ele, a produção artesanal tem impacto direto na vida rural. “O livro valoriza um produto típico do estado e mostra como a produção artesanal leva dignidade, renda e qualidade de vida ao campo”, afirmou.
Entre os relatos reunidos na publicação aparecem episódios que mostram como o queijo também atravessa momentos históricos. Produtores da região de Araxá, por exemplo, mantiveram a atividade durante a ditadura militar, enfrentando fiscalização rígida e repressão política.
Já na Mantiqueira de Minas, uma das histórias retrata o último tropeiro da região, que há mais de 40 anos percorre trilhas históricas transportando queijos entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro — quase como uma ponte viva entre passado e presente.
Para José Ricardo Osório, presidente da Associação Mineira do Queijo Artesanal, a obra evidencia o trabalho diário dos produtores e reforça a importância cultural do produto, considerado patrimônio imaterial reconhecido pela Unesco.
Além do valor cultural, os números mostram o peso econômico da atividade. Dados da Emater-MG indicam que a produção de queijos artesanais em Minas atingiu 32,1 mil toneladas em 2025, envolvendo cerca de 8,8 mil agroindústrias familiares.
O crescimento também aparece no mapa produtivo. De acordo com o secretário de Estado de Agricultura, Thales Fernandes, Minas tinha apenas sete microrregiões produtoras caracterizadas entre 2002 e 2019. Hoje, são 16 regiões, todas com assistência técnica da Emater diretamente aos produtores.
O livro foi apresentado em uma solenidade que reuniu produtores, autoridades e representantes do setor, incluindo a secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega. A iniciativa contou com apoio do Sicoob Crediminas.
A publicação será distribuída gratuitamente para pessoas e instituições ligadas à produção, pesquisa e valorização do Queijo Minas Artesanal — porque, em Minas, cada queijo pode até ter sabor diferente, mas quase sempre vem acompanhado de uma boa história.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Foco MG






