A arrematação da Cosulati passou a ser alvo de questionamentos públicos por parte de produtores rurais e representantes da cadeia produtiva do leite do sul do Rio Grande do Sul.
Os grupos afirmam haver indícios de irregularidades no processo judicial que resultou na transferência do complexo industrial da cooperativa e pedem investigação das autoridades.
O caso será apresentado na Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, durante explanação marcada para o dia 10 de março de 2026. Na ocasião, produtores pretendem detalhar aos parlamentares os pontos que, segundo eles, levantam dúvidas sobre a legalidade da arrematação.
O parque industrial da cooperativa é apontado pelos representantes do setor como uma das principais estruturas do processamento de leite na região sul do Brasil. De acordo com os produtores, a atividade da planta está diretamente ligada à produção de cerca de 2,6 mil produtores rurais e à dinâmica econômica de diversos municípios cuja base produtiva depende da atividade leiteira.
Questionamentos sobre o processo judicial
Entre os pontos apresentados pelos produtores estão possíveis irregularidades na condução do leilão judicial que resultou na arrematação do complexo industrial. Também foram levantadas dúvidas sobre a origem dos recursos utilizados pela empresa vencedora do leilão.
Outro questionamento refere-se à condução processual. Segundo os representantes do setor, atos relevantes teriam sido autorizados mesmo com recursos pendentes de julgamento em instâncias superiores.
Os produtores também apontam que a carta de arrematação e a posse do complexo industrial teriam sido concedidas antes da quitação integral do valor da arrematação, o que, na avaliação deles, levanta dúvidas adicionais sobre a regularidade do procedimento.
Denúncia ao Ministério Público Federal
Diante dessas suspeitas, os produtores afirmam ter encaminhado uma denúncia formal ao Ministério Público Federal relatando fatos que, segundo eles, poderiam configurar violações à legalidade.
No entanto, de acordo com os representantes da cadeia produtiva, o procedimento acabou sendo arquivado sob o argumento de duplicidade de representações, sem investigação dos fatos relatados.
A decisão gerou preocupação entre os produtores, principalmente porque, segundo eles, novos elementos teriam surgido após o arquivamento inicial, ampliando os questionamentos sobre o processo.
Possível investimento e novas dúvidas
Informações obtidas pelos produtores indicam que atos processuais que consolidaram a arrematação ocorreram no momento em que o juízo responsável tomou conhecimento da possibilidade de investimento no parque industrial por parte de um empresário do setor lácteo interessado em reativar a planta.
De acordo com os representantes da cadeia produtiva, essa proposta poderia permitir a retomada das atividades da fábrica, abrindo novas alternativas de processamento para produtores e cooperativas parceiras.
Além de garantir mercado para a produção leiteira da região, a reativação da planta também poderia contribuir para a preservação de empregos e renda em municípios dependentes da cadeia do leite.
Outros pontos levantados
Os produtores também mencionam outros fatos que consideram relevantes para avaliação institucional do caso. Entre eles está a concessão de uma liminar que teria impedido a realização de assembleias de produtores cooperados, interferindo no funcionamento da cooperativa.
Outro aspecto citado é a criação de uma situação jurídica considerada anômala pelos representantes do setor, na qual o complexo industrial arrematado, ainda não totalmente pago, teria sido utilizado como garantia judicial em favor da própria empresa arrematante.
Mobilização política e institucional
Diante desse cenário, representantes dos produtores afirmam que o caso ultrapassa uma disputa judicial e envolve impactos econômicos e sociais relevantes para a cadeia produtiva do leite no estado.
Na apresentação à Assembleia Legislativa, os produtores pretendem solicitar apoio institucional dos deputados estaduais para acompanhar o caso e buscar esclarecimentos junto às autoridades competentes.
Entre as medidas defendidas estão a realização de reunião institucional com o Ministério Público Federal para esclarecimentos sobre o arquivamento da denúncia, a obtenção de informações formais sobre fatos surgidos posteriormente e o acompanhamento institucional do processo envolvendo a arrematação do complexo industrial da Cosulati.
Segundo os organizadores da mobilização, o objetivo é garantir transparência, investigação e respeito aos produtores que dependem da atividade leiteira na região.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Jornal Tradição Regional






