ESPMEXENGBRAIND
11 mar 2026
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Indústrias começam a pagar mais pelo leite, mas margens seguem apertadas no campo.
Menor captação melhora preços do leite, mas realidade econômica ainda preocupa produtores.
Menor captação melhora preços do leite, mas realidade econômica ainda preocupa produtores.

O preço do leite começa a mostrar sinais de recuperação no início de 2026, impulsionado principalmente pela redução da oferta típica da entressafra.

Ainda assim, a melhora ocorre em um contexto de margens apertadas e custos elevados, o que mantém a pressão sobre produtores e indústrias na cadeia láctea.

No mercado interno, a menor captação de leite abriu espaço para um ajuste nos valores pagos ao produtor. Em Santa Catarina, o Conseleite projetou pagamento de R$ 2,03 por litro para o leite entregue em janeiro e pago em fevereiro. O movimento acompanha um aumento no poder de pagamento das indústrias observado também nos Conseleites do Paraná e do Rio Grande do Sul.

Segundo o presidente do Sindileite-SC e do Conseleite-SC, Selvino Giesel, a redução no volume captado alterou o ambiente de preços. A entressafra diminui a oferta de leite no campo e tende a sustentar os valores pagos ao produtor. Em Santa Catarina, a capacidade de pagamento da indústria aumentou 3,7% em fevereiro, o equivalente a cerca de R$ 0,08 por litro.

Mesmo com essa reação, o desempenho dos produtos no mercado ainda é desigual. Alguns itens continuam operando com resultado negativo, caso do leite UHT. Já os queijos registraram melhora nos preços, o que contribui para ampliar a margem das indústrias e permitir um pagamento ligeiramente maior ao produtor.

Ao mesmo tempo, o setor continua enfrentando dificuldades estruturais ligadas à dinâmica da produção. Diferentemente de outras atividades agropecuárias, a produção de leite não pode ser interrompida. A ordenha ocorre diariamente e o produto tem prazo de validade curto, o que exige industrialização e comercialização rápidas.

No campo, o custo de produção segue sendo um fator crítico. A alimentação representa cerca de 60% das despesas da atividade. Apesar de um desempenho favorável na produção de pasto e silagem e da estabilidade nos preços dos grãos, outros itens continuam pressionando o orçamento das propriedades, como energia elétrica, mão de obra, fertilizantes, produtos de higiene e manutenção de equipamentos.

A remuneração recebida pelos produtores varia de acordo com qualidade e volume fornecido. Há casos de pagamento entre R$ 1,70 e R$ 2,30 por litro. O custo de produção, por sua vez, está estimado entre R$ 2,00 e R$ 2,10 por litro, dependendo da propriedade. Na prática, isso significa que parte dos produtores ainda opera no limite da rentabilidade ou com perdas.

Os números de referência do Conseleite-SC ilustram essa realidade. Em janeiro, o maior valor de referência foi de R$ 2,5332 por litro, enquanto o valor médio ficou em R$ 2,0595 e o menor em R$ 1,9069. Para fevereiro, os valores projetados indicam R$ 2,6281 no teto, R$ 2,1367 como referência e R$ 1,9784 no menor patamar.

No campo, alguns produtores já adotam ajustes para enfrentar esse cenário. Em Xaxim, o produtor Andersson Vidi reduziu o tamanho do rebanho, mantendo 80 vacas em lactação com média de 33 litros por animal ao dia. O preço recebido gira em torno de R$ 2,05 por litro. Segundo ele, muitos produtores têm abandonado a atividade devido à dificuldade de cobrir os custos.

Além da pressão econômica, Vidi também aponta preocupação com as importações de lácteos, que chegam ao mercado com preços considerados desvantajosos para a produção local.

Em Concórdia, o produtor Tiago Bertoldo optou por ajustar a dieta do rebanho para reduzir despesas. Ele mantém 94 vacas em lactação, com produção diária entre 3.550 e 3.600 litros. Os valores recebidos variam entre R$ 2,08 e R$ 2,15 por litro.

Apesar da melhora recente nos preços, Bertoldo avalia que a recuperação ainda é lenta e insuficiente para compensar as perdas acumuladas nos últimos meses. Segundo ele, ainda existem produtores recebendo entre R$ 1,50 e R$ 1,70 por litro, o que evidencia a desigualdade nas condições de remuneração dentro da cadeia.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Diário do Iguaçu 

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