ESPMEXENGBRAIND
18 mar 2026
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📈 Volume cresce dois dígitos em janeiro, puxado por queijo e gordura, enquanto valor avança menos com pressão de preços
🚢 Crescimento consistente no início do ano esbarra em custos, preços e gargalos logísticos. Exportacoes
🚢 Crescimento consistente no início do ano esbarra em custos, preços e gargalos logísticos.

As exportações de lácteos dos EUA começaram 2026 mantendo o ritmo de crescimento, com avanço de 12% no volume em janeiro, medido em sólidos lácteos equivalentes.

O desempenho repete a dinâmica do fim de 2025 e marca o melhor janeiro já registrado em volume, sustentado principalmente por queijo, gordura de manteiga e pela recuperação do leite em pó desnatado.

Apesar do ganho expressivo em volume, o avanço em valor foi mais moderado, com alta de 4%, refletindo o impacto da queda nos preços domésticos de queijo e manteiga na segunda metade do ano anterior. Esse descolamento entre volume e receita introduz um primeiro sinal relevante para a cadeia: crescer em toneladas não necessariamente se traduz em maior rentabilidade.

O queijo e a gordura de manteiga seguem como os principais motores. Os embarques de queijo cresceram 11%, superando ligeiramente a média mensal de 2025. A América Latina consolidou-se como eixo central dessa expansão, compensando perdas em outros mercados e concentrando mais da metade do comércio no mês. México, América Central, Caribe e América do Sul ampliaram compras, com destaque também para o crescimento expressivo no Chile.

Ao mesmo tempo, houve uma queda relevante nas exportações para o Japão, interrompendo uma sequência de quase um ano de crescimento. Esse movimento ainda precisa ser confirmado como tendência, mas sinaliza possível mudança no comportamento de compra.

Na manteiga, o crescimento foi ainda mais acentuado, com aumento de 187% no volume e nove meses consecutivos de altas expressivas. A região do Oriente Médio e Norte da África respondeu por parcela significativa desse avanço, evidenciando uma demanda forte e oportunista no início do ano. A gordura láctea anidra também manteve crescimento, embora em ritmo mais moderado.

Outro destaque foi o leite em pó desnatado, que registrou aumento de 19%, com o Sudeste Asiático liderando a demanda. Ainda assim, o crescimento ocorre sobre uma base fraca, e o volume acumulado recente segue abaixo de períodos anteriores, o que limita a leitura de recuperação estrutural.

No sentido oposto, as exportações de WPC80+ caíram 31%, pressionadas por preços recordes e restrição de oferta. A demanda interna por proteínas nos Estados Unidos absorve grande parte da produção, reduzindo a disponibilidade exportável. Com estoques em níveis historicamente baixos, a tendência é de continuidade dessa limitação no curto prazo.

No horizonte, os desafios ganham peso. O conflito no Oriente Médio surge como fator crítico, com impacto direto sobre rotas logísticas e custos. O fechamento do estreito de Ormuz e as tensões no Mar Vermelho dificultam o acesso a mercados relevantes para queijo e manteiga, elevando custos de frete e seguro e comprometendo a previsibilidade das operações.

Para a indústria brasileira, o cenário traz sinais claros. A demanda internacional segue ativa, especialmente em mercados latino-americanos, mas o ambiente competitivo tende a ser influenciado por volatilidade de preços, restrições logísticas e mudanças na alocação de produtos dentro dos Estados Unidos. A leitura combinada de volume, preço e destino será determinante para entender os próximos movimentos do comércio global de lácteos.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Fedeleche

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