ESPMEXENGBRAIND
25 mar 2026
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Progresso climático convive com limitações operacionais e de oferta ⚖️
Resultados positivos revelam desafios estruturais na cadeia global 📊emissões
Resultados positivos revelam desafios estruturais na cadeia global 📊

O relatório de emissões da Nestlé em 2025 confirma que a descarbonização já gera resultados concretos, mas também deixa claro que o avanço não ocorre de forma homogênea ao longo da cadeia.

A principal leitura é que os ganhos mais consistentes estão concentrados na produção primária, enquanto etapas industriais e de insumos continuam impondo limites.

A empresa superou sua meta climática de curto prazo, alcançando uma redução de 24,52% nas emissões totais em relação ao baseline. No componente mais relevante para lácteos, as emissões ligadas à agricultura, uso da terra e florestas caíram 32,4%, impulsionadas principalmente pela redução de mais de 20% no metano, resultado de intervenções diretas na pecuária e no leite.

Esse desempenho indica que, quando há atuação sobre o sistema produtivo, os resultados aparecem. A expansão da agricultura regenerativa reforça essa leitura. A Nestlé atingiu 27,6% de abastecimento a partir de produtores que adotam essas práticas, superando sua meta inicial. Dentro desse movimento, as reduções de emissões associadas a leite e pecuária ficaram em torno de 17%, enquanto intervenções ligadas a solo e florestas chegaram a 37%.

Ao mesmo tempo, o relatório evidencia que fora da porteira os avanços são mais lentos. As emissões associadas às embalagens caíram em termos absolutos, mas ganharam peso relativo dentro do total, passando de 11,5% para 12,9% desde 2018. O volume operacional ajuda a explicar esse comportamento, com 3,3 milhões de toneladas de material utilizadas e 318 bilhões de unidades colocadas no mercado.

A dificuldade não está apenas na escala, mas na estrutura do sistema. A oferta limitada de polímeros reciclados aptos para uso alimentício e o maior consumo energético desses materiais reduzem o potencial de ganho. A baixa participação de embalagens reutilizáveis, inferior a 1%, reforça a dependência de materiais virgens ou reciclados com maior custo ambiental.

Também há sinais de tensão no abastecimento de insumos. A meta de sourcing responsável de cacau não foi totalmente atingida, ficando próxima de 96%, em um contexto de volatilidade e restrições de oferta. No caso dos ovos, o avanço para cerca de 82% em sistemas cage-free ainda ficou abaixo do objetivo total, com limitações claras em determinadas regiões.

Outro ponto relevante é o desempenho abaixo do esperado na reformulação de produtos. Apesar de ser um dos principais eixos da estratégia climática, essa alavanca respondeu por apenas 6% das reduções de emissões. As restrições técnicas, ligadas a sabor, textura, valor nutricional e processos industriais, limitam a velocidade de transformação do portfólio.

O conjunto dos dados mostra que a descarbonização no setor de alimentos, e particularmente no lácteo, depende de três frentes que avançam em ritmos diferentes. A produção primária responde mais rapidamente quando há intervenção direta. Já embalagens, insumos e formulação ainda operam sob restrições estruturais que reduzem a velocidade de mudança.

Eficiência no campo já entrega resultado, mas o próximo salto depende de soluções industriais e de mercado que ainda não estão plenamente disponíveis.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Reporter

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