A adoção de inteligência artificial na indústria láctea começa a sair do discurso experimental e entrar diretamente na operação diária.
Na cooperativa costarriquenha Dos Pinos, a IA já atua em processos ligados a rotulagem, vendas, análise de risco, atendimento interno e suporte técnico, com agentes digitais integrados às rotinas de diferentes áreas da empresa.
O caso mais simbólico talvez esteja no setor de design de embalagens. Antes, a revisão de tabelas nutricionais e informações regulatórias exigia conferências manuais demoradas e sujeitas a falhas. Agora, um agente de IA desenvolvido internamente compara automaticamente as especificações técnicas com a arte final das embalagens e aponta inconsistências antes da aprovação.
Segundo a cooperativa, o sistema reduziu em mais de 50% as inconsistências na etapa de design e ajudou a encurtar em cerca de 10 dias o tempo médio de lançamento de produtos. Em uma operação industrial de grande escala, esse intervalo representa ganho relevante de agilidade operacional.
A Dos Pinos produz cerca de 1,3 milhão de litros de leite por dia, com fornecimento vindo de aproximadamente 1.500 fazendas associadas. Nesse ambiente, pequenos erros podem gerar impacto significativo. Uma divergência em rotulagem, por exemplo, pode atrasar produção, comprometer cronogramas e ampliar riscos regulatórios.
O movimento da cooperativa mostra também uma mudança importante na forma como a IA está sendo implementada dentro das empresas. Em vez de depender exclusivamente das áreas de tecnologia, diferentes funcionários passaram a criar seus próprios agentes para resolver problemas específicos do cotidiano.
Hoje, a Dos Pinos afirma ter cerca de 80 agentes de IA em operação. Eles atuam em tarefas como revisão de embalagens, elaboração de acordos de confidencialidade, gestão documental de riscos, atendimento de solicitações de TI e até recomendações de produtos pecuários para fornecedores.
Na área comercial, o impacto aparece na reorganização do trabalho. Um analista de vendas utilizou ferramentas de IA para aprender a automatizar o envio de relatórios pelo Power BI Service e Microsoft Outlook. O processo, que antes consumia cerca de quatro horas diárias com tarefas repetitivas, passou a exigir menos intervenção manual, liberando tempo para análise de dados e desenvolvimento de indicadores.
Esse talvez seja um dos sinais mais relevantes do caso: a IA não aparece apenas como mecanismo de corte de custos, mas como ferramenta para deslocar equipes de atividades operacionais repetitivas para funções de maior valor analítico.
Para sustentar a adoção, a cooperativa criou ainda um programa interno de “embaixadores de IA”, formado por funcionários que ajudam outras equipes a entender e aplicar as ferramentas dentro dos departamentos.
A estratégia revela um ponto central para o setor lácteo: o diferencial competitivo pode não estar apenas na tecnologia em si, mas na capacidade de incorporá-la aos fluxos reais da operação. Na prática, a Dos Pinos está transformando agentes de IA em parte da infraestrutura cotidiana da cooperativa.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por MundoCoop






