O mercado de queijo está diante de uma transformação que combina expansão, diversificação de produtos e mudanças nos hábitos de consumo.
Avaliado em US$ 199,14 bilhões em 2025, o mercado global deve alcançar US$ 208,66 bilhões em 2026 e chegar a US$ 328,71 bilhões em 2034, com crescimento anual de 5,85% entre 2026 e 2034.
Mas o tamanho projetado é apenas uma parte da história.
O que chama atenção é como esse crescimento está sendo construído. Ao mesmo tempo em que o queijo mantém sua força como ingrediente de alimentos amplamente consumidos, surgem novas demandas por produtos naturais, artesanais, funcionais e de origem vegetal. A categoria também se fragmenta em diferentes formatos, sabores e canais de venda.
O resultado é um mercado em que tradição e inovação passam a disputar espaço na mesma prateleira.
A mozzarella virou o centro do mercado
Entre os diferentes tipos de queijo, um produto se destaca com ampla vantagem: a mozzarella.
Ela responde por 37,19% do mercado por tipo de produto em 2026, impulsionada pelo consumo global e pela presença em alimentos como pizza, massas, enchiladas e risotos. A expansão da alimentação ocidental em mercados da Ásia-Pacífico e do Oriente Médio também aparece como um fator de estímulo à demanda por mozzarella e cheddar.
A força da mozzarella ajuda a explicar uma característica importante do mercado: o queijo deixou de estar associado apenas a uma determinada tradição culinária.
Sua utilização atravessa diferentes preparações e mercados, enquanto outros tipos ocupam nichos específicos. O parmesão, por exemplo, é valorizado por sua textura dura e sabor frutado e de nozes e pode levar de dois a quatro anos para ser processado.
Essa diversidade também aparece na divisão entre queijos naturais e processados.
Os produtos naturais ganham espaço entre consumidores interessados em ingredientes com pouco ou nenhum conservante, além de atributos ligados a sabor e textura. Já os processados mantêm forte adoção em regiões como Ásia-Pacífico, América do Sul e Oriente Médio e África, apoiados por características como maior vida útil, resistência à separação durante o cozimento e uniformidade.
O consumidor não está procurando apenas um produto
É nesse ponto que a transformação fica mais evidente.
A procura por variedades frescas, caseiras e especiais cresce junto com o interesse por novos sabores e pela alimentação fora de casa. Nos Estados Unidos, uma pesquisa da American Cheese Society identificou 980 produtores artesanais em 2020, dedicados a produtos feitos à mão, naturalmente aromatizados ou frescos da fazenda.
A mudança também alcança os atributos procurados.
O mercado registra maior demanda por queijos naturais como cheddar e parmesão, enquanto produtos com ervas, especiarias, frutas e castanhas passam a fazer parte da oferta de fabricantes naturais e artesanais.
O movimento não elimina o queijo convencional. Ao contrário: amplia o número de possibilidades dentro da categoria.
Há espaço para produtos industriais de maior vida útil, para especialidades, para variedades premium e para formatos voltados à conveniência.
O queijo também está mudando de formato
A transformação não acontece apenas no tipo de queijo, mas também na maneira como ele chega ao consumidor.
O mercado é dividido entre produtos em bloco, pastosos e outros formatos. O segmento de produtos para espalhar, por sua vez, deve registrar crescimento maior durante o período analisado, favorecido pela facilidade de aplicação em sanduíches, bolos e snacks e pela disponibilidade de diferentes sabores.
Na distribuição, supermercados e hipermercados continuam dominando.
O canal deve representar 42,94% do mercado em 2026, impulsionado pela variedade disponível e pela possibilidade de experimentar diferentes produtos. Ao mesmo tempo, lojas especializadas ganham espaço ao oferecer queijos locais, importados, artesanais e especiais.
Algumas dessas lojas também desenvolvem espaços híbridos, combinando queijos com uma oferta limitada de alimentos como sanduíches e vinho.
A categoria, portanto, avança em duas direções ao mesmo tempo: escala e especialização.
A maior mudança pode vir de fora do leite
Existe ainda uma transformação particularmente relevante para a indústria láctea: o crescimento do queijo vegetal.
Dietas à base de plantas ganharam espaço, acompanhadas por uma demanda crescente por alimentos vegetais. Os queijos desse segmento são produzidos principalmente a partir de soja, amêndoas, castanhas e outros ingredientes.
O avanço já se traduz em novos produtos. Em novembro de 2022, a indiana Plan B Foods lançou uma linha de queijos veganos que incluía versões cheddar e classic, além de blocos de cheddar, mozzarella, parmesão e produtos ralados.
Ainda assim, o queijo de origem animal permanece dominante no mercado global.
O segmento inclui produtos derivados de leite de bovinos, ovinos, caprinos e camelos e mantém a maior participação, enquanto o segmento vegetal apresenta crescimento mais acelerado durante o período projetado.
É uma mudança importante: o crescimento do mercado não acontece em torno de uma única definição de produto.
Europa continua no comando
A geografia do mercado também revela uma concentração expressiva.
A Europa respondeu por 48,43% do mercado global em 2025, com receita de US$ 96,44 bilhões. Para 2026, a projeção é de US$ 100,32 bilhões. Reino Unido e Alemanha aparecem com mercados projetados em US$ 10,37 bilhões e US$ 24,01 bilhões, respectivamente.
A demanda europeia é associada, entre outros fatores, à procura por alimentos orgânicos e produtos com posicionamento não transgênico.
A América do Norte aparece em seguida, com 29,50% do mercado global em 2025, equivalente a US$ 58,75 bilhões. A projeção para 2026 é de US$ 61,63 bilhões, enquanto o mercado dos Estados Unidos deve alcançar US$ 46,58 bilhões.
Pizza, sanduíches, snacks e hábitos de consumo associados à conveniência aparecem entre os fatores que sustentam a demanda norte-americana.
Já a Ásia-Pacífico representa um mercado menor em volume, mas com uma dinâmica própria. A região movimentou aproximadamente US$ 16,44 bilhões em 2025, equivalente a 8,26% do mercado global, e deve chegar a US$ 17,32 bilhões em 2026.
China, Índia e Japão aparecem entre os mercados acompanhados pelo estudo, com projeções de US$ 2,41 bilhões, US$ 5,05 bilhões e US$ 3,93 bilhões, respectivamente, em 2026.
E a América do Sul?
É justamente nesse cenário que surge um ponto de interesse para a cadeia regional.
O estudo identifica Brasil, Argentina e Uruguai como importantes países produtores de lácteos na região e aponta uma oportunidade para o desenvolvimento de queijos produzidos localmente. A justificativa apresentada é direta: o custo dos queijos importados da Europa e da América do Norte é elevado, abrindo espaço para produtos locais mais acessíveis.
A América do Sul, porém, ainda representa uma parcela pequena do mercado global quando comparada com Europa e América do Norte.
O contraste ajuda a dimensionar o espaço existente entre produção leiteira e consumo de queijos dentro da própria região.
Um mercado maior, mas também mais complexo
O crescimento projetado não elimina os desafios.
O próprio mercado enfrenta preocupações relacionadas ao consumo excessivo de queijo, especialmente pelo conteúdo de gorduras saturadas e sódio. O material também aponta a oscilação dos preços das matérias-primas como um fator capaz de limitar o crescimento.
Ao mesmo tempo, a indústria continua investindo em produtos, capacidade e novos canais.
Entre os movimentos citados estão o lançamento de novas variedades pela Emmi Roth, a construção de uma fábrica de queijos da Agropur nos Estados Unidos, a aquisição da marca europeia Leerdammer pela Lactalis e a entrada da Lactalis Canada em plataformas de comércio eletrônico voltadas a queijos especiais.
O mapa competitivo reúne nomes como The Kraft Heinz Company, Fonterra, Arla Foods, FrieslandCampina, Saputo, Lactalis Ingredients, Wensleydale Creamery, Dairy Farmers of America, SAVENCIA e Norseland.
No fundo, a fotografia é bastante clara.
O mercado global de queijo cresce, mas não está crescendo de uma única maneira. A mozzarella ganha escala; os produtos naturais e artesanais ampliam sua presença; formatos convenientes conquistam espaço; supermercados continuam sendo o principal canal; o comércio especializado se desenvolve; e os produtos vegetais introduzem uma nova frente de competição.
Em 2026, o mercado global parte de US$ 208,66 bilhões. Em 2034, a projeção é de US$ 328,71 bilhões.
Entre esses dois números está uma transformação que vai muito além do tamanho do mercado: o queijo está deixando de ser uma categoria única para se tornar um universo cada vez mais diverso de produtos, formatos, ocasiões de consumo e propostas ao consumidor.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Fortune Business Insights






