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28 set 2026
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🤖 Quatro equipamentos, uma atividade paralela e decisões que começaram muito antes da última expansão. O que sustenta esse modelo?
🚜 A propriedade ampliou sua produção sem transformar a contratação de funcionários na principal resposta ao crescimento. A estratégia tem outros pilares.
🚜 A propriedade ampliou sua produção sem transformar a contratação de funcionários na principal resposta ao crescimento. A estratégia tem outros pilares.

Uma fazenda leiteira nos Países Baixos chegou a 230 vacas em produção combinando ordenha robotizada, gestão rigorosa dos custos e diversificação das atividades.

A propriedade de Pieter e Laura Verhagen, em Sint-Oedenrode, na província de Brabante do Norte, mostra como a expansão do rebanho foi acompanhada por uma reorganização do trabalho — e não simplesmente pela contratação de mais funcionários.

A trajetória começou muito antes da instalação dos robôs. Em 1994, o pai de Pieter estabeleceu-se na propriedade com 60 vacas e 30 hectares próprios. Quando o filho assumiu o negócio, em 2013, o rebanho já havia chegado a 130 animais.

Hoje, são 230 vacas leiteiras e 110 animais jovens distribuídos em uma área de 55 hectares, dos quais 30 pertencem à família. A produção média alcança 11.700 quilos de leite por vaca, com 4,2% de gordura e 3,52% de proteína.

O crescimento, porém, não foi resultado de uma única decisão. A mudança mais significativa na organização da rotina aconteceu em 2022, quando a sala de ordenha 2×6 foi substituída por três robôs instalados em configuração linear.

Antes, a ordenha consumia quase sete horas diárias. Com a robotização, o tempo liberado passou a ser direcionado principalmente à administração de um rebanho maior e à criação de uma segunda atividade empresarial.

A expansão que exigiu uma quarta máquina

Quando os primeiros robôs foram instalados, a fazenda tinha aproximadamente 160 vacas. Em poucos anos, o número ultrapassou 200, com produção superior a 11.500 quilos por lactação.

O aumento do rebanho trouxe uma preocupação operacional: a dependência dos equipamentos. Uma falha importante poderia deixar pelo menos um terço das vacas sem ordenha durante meio dia.

A decisão foi instalar um quarto robô. O investimento foi favorecido pelos preços do leite considerados muito bons em 2024 e 2025, segundo Verhagen.

A nova máquina também permitiu acomodar mais dez vacas. Posteriormente, o rebanho chegou a 230 animais, em parte porque a reposição foi um pouco mais lenta, com taxa de descarte de 12%.

A possibilidade de alcançar 250 vacas existe no horizonte do produtor, mas não constitui uma meta imediata. As limitações das licenças e as exigências relacionadas à produção vinculada à terra estão entre os fatores que condicionam os próximos passos.

A terra não acompanha o ritmo do rebanho

A propriedade mantém uma estratégia intensiva e não aumentou sua área própria desde que o pai de Pieter se estabeleceu no local.

Anualmente, são arrendados aproximadamente 20 a 25 hectares. A compra de novas áreas, entretanto, enfrenta concorrência de outros usos do solo e preços elevados.

A fazenda está a cerca de 2 quilômetros de Son en Breugel, em uma região com grandes produtores de horticultura e árvores. Segundo Verhagen, a atuação da província, do conselho de água e de organizações ambientais também contribui para elevar os preços das terras.

Em uma negociação recente, os irmãos ofereceram mais de € 15 por metro quadrado por alguns hectares, mas perderam a disputa por uma diferença de € 0,70.

A limitação territorial tem reflexos diretos na gestão dos dejetos. A produção anual chega a aproximadamente 9 mil metros cúbicos de esterco, enquanto as áreas próprias e arrendadas permitem utilizar cerca de 3 mil metros cúbicos.

O excedente precisa ser destinado a outras propriedades, gerando um custo expressivo independentemente de pequenas variações no volume.

Em 2025, a destinação de pouco menos de 6 mil metros cúbicos custou aproximadamente € 120 mil, incluindo a aplicação, ou cerca de € 20 por metro cúbico. O valor é considerado relativamente baixo para uma região de elevada concentração pecuária nos arredores de Eindhoven.

O negócio paralelo que ajuda a controlar despesas

A diversificação começou em fevereiro de 2025, quando Pieter e seu irmão mais novo inauguraram uma empresa de prestação de serviços agrícolas.

A oportunidade surgiu após o fechamento de uma empresa regional do setor e a possibilidade de adquirir um conjunto de máquinas bem conservadas.

O irmão já trabalhava no segmento e estava em processo de assumir uma empresa, mas o proprietário acabou vendendo o negócio a outra pessoa. A partir daí, os dois estruturaram um orçamento baseado na própria fazenda e conseguiram financiamento por meio da atividade leiteira.

Pieter investiu inicialmente € 400 mil e transferiu suas máquinas para a nova sociedade. Os pagamentos anuais desse financiamento chegam a € 110 mil, valor equivalente às amortizações da fazenda leiteira.

O produtor cuida da administração e da gestão da empresa de serviços, dedicando aproximadamente um dia por semana à atividade. O irmão responde pela operação diária.

Além de representar uma nova frente empresarial, a estrutura contribui para reduzir despesas com máquinas e destinação de esterco.

A expansão, entretanto, também consumiu recursos financeiros. A aquisição de direitos de fosfato para mais 100 vacas desde 2018 representou um investimento de aproximadamente € 400 mil. Somam-se a isso o quarto robô, a manutenção de animais adicionais e a substituição do misturador autopropelido de alimentos.

Mesmo depois de dois anos favoráveis para o negócio, o próprio produtor reconhece que sobra pouco dinheiro disponível.

Simplicidade também orienta o manejo

Na alimentação, a fazenda utiliza uma dieta TMR preparada em misturador autopropelido, operação que consome cerca de uma hora por dia.

A busca por uma rotina mais simples também orientou as decisões genéticas. Depois de trabalhar com animais MRIJ e posteriormente com Holandeses, Verhagen optou pelo cruzamento Procross, que combina Holandês, Viking Red e Montbéliarde.

A mudança foi motivada pelo desejo de reduzir os problemas relacionados à saúde do rebanho.

Segundo o produtor, a fertilidade está funcionando de maneira satisfatória, com intervalo entre partos inferior a 400 dias e média de 2,5 inseminações por vaca. Os custos veterinários ficam abaixo de € 0,015 por quilo de leite.

A taxa anual de reposição também caiu. Atualmente, está pouco abaixo de 20%, contra aproximadamente 35% há dez anos.

A estratégia inclui utilizar sêmen de dois touros por raça: um destinado às novilhas, para evitar dificuldades de parto, e outro às vacas adultas. Mais de 50% do rebanho leiteiro recebe sêmen de raças de corte, reduzindo a necessidade de manter animais jovens e ampliando o valor das vendas.

A venda de novilhas também representa uma receita eventual. Neste ano, foram comercializados 25 animais de uma só vez, com retorno superior ao inicialmente esperado devido aos preços elevados do gado e da carne.

Menos funcionários, mas não menos organização

A propriedade funciona com ajuda contratada durante um dia por semana. O pai de Pieter, aos 72 anos, também participa diariamente das atividades.

A organização da mão de obra é acompanhada por uma preocupação rigorosa com higiene e circulação dentro da fazenda. A experiência anterior de Pieter como trabalhador autônomo em uma propriedade de suínos influenciou sua atenção à biossegurança.

O cuidado começa na criação dos bezerros, mantidos separados dos animais mais velhos. Em frente ao galpão das vacas, há 20 casinhas individuais e quatro baias móveis coletivas.

Nas casinhas, a palha fica diretamente no chão. Nas baias coletivas, o piso é elevado, evitando que os animais fiquem expostos ao frio. A configuração também facilita a limpeza e a desinfecção.

A escolha de manter as vacas confinadas está relacionada, em grande parte, à organização do trabalho. Depois de 20 anos sem pastejo, a fazenda retomou a prática em 2020, principalmente para aproveitar um adicional de € 0,015 por litro oferecido pela FrieslandCampina.

Com a instalação dos robôs, as vacas voltaram a permanecer no galpão. Os animais jovens continuam indo ao pasto, e o produtor mantém o sistema de pastejo parcial como uma possibilidade para o futuro.

O próximo passo depende de quem continuará o negócio

A possibilidade de terceirizar a criação dos animais jovens já está sendo considerada por Verhagen. A preferência seria encontrar uma estrutura próxima, permitindo que ele próprio continue responsável pela alimentação.

Essa mudança poderia abrir espaço para manter mais vacas no galpão existente, sem depender imediatamente de uma ampliação física da propriedade.

A sucessão familiar também influenciará as decisões. Pieter e Laura têm três filhos, e o mais velho demonstra interesse pela agricultura, embora atualmente se interesse mais pelas máquinas.

O produtor não descarta novos investimentos. Para ele, empreender significa continuar buscando oportunidades, mas o ritmo da expansão dependerá das condições da propriedade e da existência de um sucessor.

Por enquanto, a experiência dos Verhagen revela uma lógica empresarial construída em torno de uma prioridade: fazer o crescimento caber na estrutura de trabalho, nos recursos financeiros e nas condições disponíveis — mesmo quando o número de vacas continua aumentando.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Food & Agribusiness

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