A redução de metano se consolida como eixo operativo na cadeia láctea, e a Danone já alcança 29,8% de queda nas emissões associadas ao leite frente a 2020, praticamente atingindo sua meta de 30% prevista para 2030.
O avanço antecipa em cinco anos o objetivo e reposiciona a forma como compras, produção e contratos são organizados.
O principal vetor de mudança em 2025 não veio do campo isoladamente, mas das decisões de abastecimento. A estratégia de procurement respondeu por 17,6% da redução total no ano, indicando que a empresa está redefinindo volumes e origens do leite com base em desempenho climático. Esse movimento ganha escala com a incorporação de critérios de metano nos contratos e com a exigência de metas para fornecedores.
O impacto direto para a cadeia é claro: acesso ao mercado passa a depender de métricas ambientais. Hoje, metade do volume de ingredientes lácteos da empresa já está coberta por metas de redução de emissões, enquanto 75% dos fornecedores, em volume, assumiram compromissos baseados em ciência. Além disso, 42% dos ingredientes-chave vêm de fazendas em transição para agricultura regenerativa, consolidando uma mudança estrutural no padrão de fornecimento.
No nível produtivo, a gestão das fazendas respondeu por 11,2% da redução em 2025. O maior ganho veio do manejo de rebanho, responsável por 5,9%, com melhorias em produtividade, eficiência reprodutiva e estrutura dos plantéis, reduzindo o metano por litro de leite. O manejo de dejetos contribuiu com 3,6%, por meio de melhores sistemas de armazenamento e menor decomposição anaeróbica. Ajustes no mix de fazendas e regiões somaram mais 1,2%.
A mensuração passa a ser parte crítica desse processo. Mais de 90% do leite coletado diretamente pela empresa é monitorado com ferramentas específicas, permitindo rastrear emissões na origem e ajustar práticas produtivas com base em dados.
Outro fator relevante está na própria redefinição metodológica. Em 2025, a empresa revisou o cálculo das emissões para alinhar-se a novos frameworks, redistribuindo parte dos impactos entre diferentes escopos. A base de 2020 também foi recalculada, o que afeta a leitura da evolução, mas não altera a direção estratégica.
O resultado é uma convergência entre eficiência produtiva e desempenho climático. A redução acumulada superior a 1 MtCO2e entre 2020 e 2024, somada ao avanço recente, demonstra que o corte de metano pode ocorrer sem perda de produtividade, especialmente quando associado a ganhos operacionais e ajustes na origem do leite.
Para o setor, o movimento sinaliza uma mudança concreta na lógica de competitividade. A variável ambiental deixa de ser periférica e passa a influenciar diretamente contratos, preços e acesso a mercado. A redução de metano, tratada como oportunidade imediata de mitigação climática, já está sendo operacionalizada como critério de decisão ao longo de toda a cadeia.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Reporter






