O zero lactose deixou de ser um nicho restrito e passou a operar como frente relevante de crescimento na indústria de alimentos.
No Brasil, a combinação entre busca por bem-estar, melhor digestibilidade e mudanças de hábito ampliou o público consumidor e elevou a presença desses produtos no varejo. O movimento não se limita à restrição alimentar e já impacta decisões de portfólio, inovação e exposição em gôndola.
O principal vetor é comportamental. Mesmo sem diagnóstico de intolerância, cresce a preferência por alimentos percebidos como mais leves e de melhor digestão. Esse deslocamento expande a base de consumo e conecta o zero lactose a uma tendência mais ampla de produtos voltados à saudabilidade, que inclui também categorias como sem glúten e plant-based. Na prática, a demanda deixa de ser apenas clínica e passa a ser aspiracional.
Há, no entanto, um fundamento estrutural que sustenta o avanço. Estimativas indicam que entre 40% e 60% da população brasileira apresenta algum grau de intolerância à lactose, associada à menor produção de lactase. Para esse grupo, os produtos zero lactose são uma alternativa funcional para manter a ingestão de nutrientes sem desconfortos como inchaço, dor abdominal e diarreia. Esse contingente cria um piso consistente de consumo sobre o qual o crescimento adicional se apoia.
Dentro da categoria, o queijo zero lactose ganha protagonismo. O produto preserva características nutricionais relevantes, como proteínas, cálcio, fósforo e vitaminas do complexo B, ao mesmo tempo em que melhora a digestibilidade. A versatilidade de uso ao longo do dia reforça a penetração e contribui para sua rápida difusão no varejo.
A resposta da indústria tem sido ampliar o portfólio. Além de queijos, avançam versões de leite, iogurtes e sobremesas zero lactose. O investimento em tecnologia tem papel central, ao viabilizar melhorias em sabor, textura e conservação, fatores críticos para reduzir barreiras de adoção. Em paralelo, o varejo destina mais espaço nas gôndolas, sinalizando tração de demanda e consolidando a visibilidade da categoria.
Para a cadeia láctea, o movimento implica reequilíbrio do mix e maior complexidade operacional. A expansão do zero lactose exige adequação de processos, desenvolvimento de produtos e gestão de sortimento alinhada a um consumidor mais atento à composição. Ao mesmo tempo, abre uma via de captura de valor em um ambiente onde diferenciação e conveniência pesam na decisão de compra.
Há um ponto de atenção: o consumo deve estar associado a necessidade individual ou orientação profissional, não apenas a modismos. Produtos zero lactose não são necessariamente mais saudáveis para toda a população, o que reforça a importância de comunicação clara e posicionamento adequado.
Ainda assim, a direção é inequívoca. O zero lactose se consolida como eixo de crescimento, com capacidade de influenciar desde a inovação até a execução no ponto de venda. Para a indústria e o varejo, trata-se menos de uma tendência passageira e mais de uma mudança estrutural na forma de competir.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de O Hoje






