A produção de leite baseada em dados ganha escala em Santa Catarina com o uso de colares inteligentes, que permitem monitoramento contínuo do rebanho e decisões operacionais mais precisas.
Em Xanxerê, a Fazenda Arsego consolidou esse modelo ao atingir cerca de 33 mil litros diários, com um plantel de aproximadamente 1.800 animais, entre vacas em produção, secas, novilhas e bezerras.
O principal vetor de mudança está no controle individual dos animais. Os sensores identificam cio, estresse térmico e possíveis doenças, permitindo intervenção antecipada. Esse mecanismo reduz perdas produtivas e sanitárias, ao mesmo tempo em que melhora o aproveitamento reprodutivo. A operação deixa de ser reativa e passa a ser orientada por dados, com histórico completo por animal, o que aumenta a precisão das decisões no manejo.
Esse salto tecnológico está integrado a uma reorganização produtiva. A propriedade é segmentada por setores e mantém acompanhamento veterinário constante. A nutrição também segue lógica de precisão: os animais são divididos por lotes conforme fase produtiva, como pré-parto, pós-parto e nível de produção. Essa segmentação sustenta ganhos de desempenho e bem-estar, elementos diretamente ligados à produtividade.
A escala atual é resultado de uma mudança estratégica anterior. Diante do aumento do custo de arrendamento de terras e da crise na suinocultura, a família optou por concentrar recursos no leite. O movimento incluiu investimento em conhecimento, inseminação e melhoramento genético, transformando uma produção diversificada e de pequena escala em uma operação especializada.
Outro ponto relevante para a estrutura de custos é a energia. A fazenda utiliza placas solares e um biodigestor que converte dejetos em gás, empregado na geração de eletricidade e no aquecimento de água para higienização. A combinação aproxima a operação da autossuficiência energética, reduzindo despesas e agregando um componente ambiental à produção.
No contexto estadual, Santa Catarina produziu cerca de 3,3 bilhões de litros de leite em 2024, segundo o IBGE. Dentro desse ambiente competitivo, a Fazenda Arsego foi reconhecida como a maior produtora do estado e a 45ª do país, conforme levantamento do MilkPoint em parceria com a Abraleite. O posicionamento reforça a correlação entre escala, tecnologia e gestão.
A operação mantém base familiar, com participação direta dos proprietários na gestão e no dia a dia. Esse fator contribui para controle mais próximo dos processos e consistência na execução, mesmo com o aumento da complexidade produtiva.
Além do impacto interno, o modelo se torna referência regional. A fazenda recebe produtores interessados em replicar práticas de gestão, tecnologia e organização. Esse fluxo amplia a difusão de técnicas e fortalece o nível técnico da cadeia local, com efeitos indiretos na economia do município, incluindo geração de empregos e movimentação financeira.
O foco atual permanece na eficiência. A estratégia inclui avanço contínuo em genética, qualidade da produção e redução de custos. Em um mercado considerado desafiador pelos próprios produtores, a atualização permanente aparece como condição para sustentar competitividade e crescimento.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de NSC Total






