Exportações da NZ para a UE avançam com velocidade acima do previsto e revelam três movimentos relevantes para a cadeia láctea: vantagem competitiva pelo timing do acordo, mudança no mix exportador e capacidade de resposta imediata da oferta.
No ano até dezembro de 2025, as exportações da Nova Zelândia para a União Europeia alcançaram US$ 8,8 bilhões, com alta de 29% no período e ganho acumulado de US$ 3 bilhões em dois anos. Segundo o ministro de Comércio e Investimento, Todd McClay, a implementação inicial do acordo foi decisiva para esse desempenho, ao proporcionar reduções tarifárias e melhor acesso ao mercado europeu.
A leitura central não está apenas no crescimento, mas em como ele ocorreu. A entrada antecipada em condições mais favoráveis permitiu aos exportadores neozelandeses capturar espaço no mercado antes de uma reação equivalente de concorrentes.
O efeito mais visível dessa vantagem aparece no desempenho dos lácteos. As exportações do setor cresceram 58%, com destaque para manteiga, que avançou 121% até US$ 276 milhões, e queijo, que quadruplicou, alcançando US$ 51 milhões. Esse comportamento indica mais do que expansão de volume: há uma reconfiguração do mix exportador, com maior tração em categorias específicas dentro do portfólio lácteo.
Esse reposicionamento ocorre em paralelo a um aumento consistente em outros segmentos. As exportações de carne subiram 38%, chegando a US$ 1,9 bilhão, impulsionadas por um crescimento de 50% na carne ovina. Hortifrutigranjeiros também avançaram 29,3%, totalizando US$ 1,36 bilhão, com o kiwi atingindo US$ 1,2 bilhão.
A velocidade dessa resposta sugere que a oferta exportadora já estava estruturada para crescer e encontrou no acordo o gatilho necessário. A redução de barreiras não criou capacidade produtiva, mas liberou um potencial previamente existente.
O impacto econômico interno também aparece com clareza. Aproximadamente um em cada quatro empregos na Nova Zelândia está ligado ao comércio exterior. De acordo com McClay, esse avanço das exportações se traduz em economias regionais mais fortes, maiores rendas e empregos mais estáveis.
O acordo com a União Europeia, ao melhorar o acesso e reduzir tarifas, não apenas ampliou volumes exportados. Ele alterou a forma como a Nova Zelândia compete, priorizando categorias específicas, acelerando respostas e consolidando presença em um mercado exigente.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Rural News Group






