ESPMEXENGBRAIND
10 maio 2026
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Em um mercado onde marcas desaparecem rápido, algumas seguem atravessando gerações sem perder identidade 🍽️
Guerras, crises e mudanças no consumo não apagaram marcas que transformaram confiança em hábito 🏪
Guerras, crises e mudanças no consumo não apagaram marcas que transformaram confiança em hábito 🏪

As marcas alimentícias mais antigas do mundo continuam ocupando espaço nas mesas mesmo depois de atravessar guerras, recessões, mudanças de hábitos e transformações profundas no consumo.

Em um setor avaliado em US$ 9,79 trilhões e marcado por competição intensa, inflação, rupturas logísticas e tendências que surgem e desaparecem rapidamente, algumas empresas conseguiram sobreviver por décadas — e, em alguns casos, por séculos.

Hoje, enquanto startups alimentícias disputam atenção em redes sociais e novas categorias aparecem quase diariamente, marcas históricas seguem mantendo relevância global. E isso não aconteceu apenas por inovação. O que diferencia essas empresas é a capacidade de mudar sem deixar de parecer elas mesmas.

A indústria de alimentos e bebidas continua crescendo e deve alcançar US$ 11,78 trilhões até 2031, segundo dados citados pela Mordor Intelligence. Ainda assim, longevidade permanece rara em um mercado conhecido por margens apertadas, pressão de varejistas e mudanças constantes no comportamento do consumidor.

Para especialistas ouvidos no levantamento, consistência, adaptação e conexão emocional ajudam a explicar por que algumas marcas atravessaram gerações inteiras sem desaparecer. A confiança construída ao longo do tempo se transformou em um ativo tão importante quanto distribuição ou escala industrial.

É o caso da britânica Twinings, fundada em Londres em 1706. A marca nasceu vendendo chá em um momento em que o produto ainda era considerado premium e, ao longo dos séculos, expandiu sua presença global mantendo a associação entre tradição e qualidade. Hoje, além das misturas clássicas como English Breakfast, investe em infusões funcionais e bem-estar, sem abandonar sua identidade histórica.

A chinesa Lee Kum Kee seguiu caminho semelhante. Criada em 1888 a partir de um molho de ostras desenvolvido acidentalmente, a empresa transformou um único produto em um portfólio com mais de 300 molhos distribuídos em mais de 100 países e regiões. Mesmo ampliando escala e produção industrial, a marca mantém o discurso centrado na autenticidade da culinária chinesa.

Na Austrália, a Vegemite virou praticamente um símbolo cultural. Criada em Melbourne em 1923 a partir de levedura de cerveja, a pasta ganhou espaço em campanhas voltadas para famílias e crianças e atravessou décadas associada à identidade australiana. Em vez de buscar expansão global agressiva, a estratégia atual da marca aposta em aprofundar sua narrativa local e ampliar ocasiões de consumo.

O mesmo padrão aparece na japonesa Kikkoman. Embora sua fundação oficial tenha ocorrido em 1917, suas origens remontam ao século XVII, quando famílias começaram a produzir molho de soja naturalmente.

A marca expandiu operações internacionais após a Segunda Guerra Mundial, abriu sua primeira empresa de vendas nos Estados Unidos em 1957 e hoje está presente em mais de 100 países. Seu plano Global Vision 2030 reforça a combinação entre tradição, tecnologia e crescimento internacional, incluindo foco na América do Sul.

Na Itália, a Barilla transformou uma pequena loja de pão e massas aberta em Parma, em 1877, em uma das marcas mais reconhecidas do setor. Ao longo do século XX, investiu em automação, embalagem, distribuição e expansão internacional. Atualmente, combina a herança italiana com novas linhas de produtos, incluindo massas sem glúten e iniciativas ligadas à sustentabilidade.

A britânica Cadbury também atravessou gerações adaptando linguagem e marketing sem romper com sua identidade. Fundada em Birmingham em 1824, a empresa cresceu com chocolate ao leite, ovos de Páscoa e campanhas publicitárias que se tornaram populares no Reino Unido. Hoje, continua investindo em inovação, novos sabores e produtos alinhados às exigências nutricionais do mercado.

Entre os casos latino-americanos, La Serenísima aparece como uma das poucas marcas regionais presentes no levantamento. Criada em 1929 por Antonino Mastellone e Teresa Aiello, na província de Buenos Aires, começou como uma pequena produtora de mozzarella e ricota.

A expansão veio com leite pasteurizado, iogurtes e produtos funcionais, incluindo leite com redução de lactose e alimentos fortificados. Nas últimas décadas, a empresa também ampliou iniciativas ligadas à eficiência energética e sustentabilidade.

Mais do que simplesmente sobreviver, essas marcas conseguiram permanecer culturalmente reconhecíveis. Em vez de perseguir todas as tendências, preservaram elementos considerados essenciais para o consumidor: sabor, confiança, familiaridade e identidade.

Esse talvez seja o principal contraste em relação ao ambiente atual da indústria alimentícia. Em um mercado acelerado por redes sociais, lançamentos rápidos e mudanças constantes de comportamento, as marcas mais longevas não foram necessariamente as que mudaram mais rápido. Foram aquelas que entenderam exatamente o que nunca deveriam mudar.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Reporter

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