O cottage cheese está vivendo um retorno improvável — e altamente estratégico.
O queijo que marcou as dietas dos anos 70 e 80 voltou às prateleiras impulsionado por uma combinação poderosa: proteína, redes sociais e mudança de percepção sobre os lácteos.
Durante décadas, produtos como cottage, ricota e outros queijos frescos ficaram associados à cultura “light”, muitas vezes vistos como alimentos sem sabor ou ligados a dietas restritivas. Agora, a lógica mudou. Em vez de evitar gordura a qualquer custo, consumidores passaram a buscar alimentos mais naturais, ricos em proteína e com maior sensação de saciedade.
A transformação ganhou força especialmente nos Estados Unidos, onde o cottage cheese virou tendência em plataformas como TikTok e Instagram. Receitas proteicas, snacks rápidos e versões gourmet ajudaram a reposicionar o produto entre jovens consumidores, atletas e pessoas interessadas em alimentação funcional.
O movimento rapidamente ultrapassou fronteiras. Europa, Brasil e América Latina também começaram a registrar crescimento de produtos lácteos ricos em proteína, incluindo versões premium de cottage, skyr, quark e requeijões proteicos.
A indústria percebeu a oportunidade. Empresas como Good Culture ajudaram a transformar o cottage cheese em um item moderno, com embalagens minimalistas e foco em ingredientes simples. Na Europa, Arla Foods e Danone ampliaram suas linhas de lácteos funcionais. No Brasil, marcas como Tirolez e Verde Campo apostam cada vez mais em versões com maior teor proteico e conveniência.
Mais do que nostalgia, o fenômeno revela uma mudança importante no consumo global de lácteos. Produtos tradicionais estão sendo reinterpretados com nova linguagem, novo design e nova função dentro da alimentação cotidiana.
Para a indústria, o caso mostra que inovação nem sempre significa criar algo totalmente novo. Em muitos casos, o diferencial está em reposicionar produtos já conhecidos para atender tendências atuais de saúde, praticidade e valor agregado.
O queijo que antes parecia ultrapassado agora ocupa espaço em cafeterias, academias e perfis fitness. E tudo indica que esse retorno ainda está no começo.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Clarín






