A agricultura regenerativa deixou de ocupar apenas o discurso institucional das grandes companhias de alimentos e passou a influenciar decisões comerciais, posicionamento de marcas e critérios de competitividade dentro do varejo alimentar.
O movimento já alcança a cadeia do leite e amplia a pressão por rastreabilidade, monitoramento de fornecedores e diferenciação ambiental no ponto de venda.
Práticas como rotação de culturas, plantio direto, cobertura do solo, redução do uso de insumos químicos e integração entre lavoura e pecuária passaram a integrar estratégias de abastecimento, resiliência produtiva e comunicação com o consumidor. Ao mesmo tempo, produtos associados à regeneração ambiental começam a disputar espaço nas gôndolas com atributos tradicionalmente dominantes, como preço e conveniência.
Na Nestlé, a agricultura regenerativa foi incorporada como eixo central da estratégia ESG da companhia. Segundo Carlos Soares, diretor de Agricultura Regenerativa da empresa no Brasil, 70% das emissões de carbono da companhia vêm da agricultura, o que levou a empresa a ampliar iniciativas voltadas à regeneração do solo, preservação de recursos hídricos, aumento da biodiversidade e redução da pegada de carbono.
O leite aparece entre as cadeias consideradas prioritárias pela empresa. A companhia afirma apoiar mais de 10 mil produtores no país com iniciativas relacionadas ao uso responsável dos recursos naturais, bem-estar animal e biodiversidade. O avanço desse modelo também exige maior controle operacional da cadeia. Para isso, a empresa reforça sistemas de gestão e monitoramento de fornecedores e amplia o uso de ferramentas de geomonitoramento para rastreabilidade.
Além da operação no campo, a estratégia passa pela construção de valor junto ao consumidor. A empresa afirma que as marcas funcionam como ponte entre produção e consumo, transformando os produtos em instrumentos de engajamento ligados à sustentabilidade.
Na PepsiCo, a agenda regenerativa também foi integrada à estratégia global da companhia. Segundo Isabela Malpighi, Chief Sustainability Officer da empresa na América Latina, a meta global é disseminar práticas de agricultura regenerativa em 10 milhões de acres até 2030. A executiva afirma que o Brasil vem ganhando relevância dentro dessa agenda.
A companhia conecta diretamente agricultura regenerativa e posicionamento comercial. Segundo a executiva, transparência sobre a origem dos ingredientes e informações mais visíveis ao consumidor ajudam a fortalecer conversão no varejo. A estratégia inclui iniciativas como a campanha “Farm to Pack”, que utiliza QR Codes nas embalagens para apresentar a jornada do produto e aproximar consumidores dos produtores.
O avanço desse modelo, porém, ainda enfrenta obstáculos operacionais e financeiros. A PepsiCo aponta que um dos principais desafios está no risco assumido pelos agricultores durante a adoção de novas práticas, além da necessidade de ampliar assistência técnica e difusão de conhecimento.
Mesmo assim, as empresas enxergam ganhos na previsibilidade do abastecimento e no fortalecimento da resiliência produtiva. A percepção do consumidor também começa a pressionar a cadeia. Segundo dados citados pela Nestlé, 97% dos consumidores consultados consideram o desenvolvimento sustentável importante para o Brasil, enquanto 44% afirmam buscar informações sobre sustentabilidade dos produtos ou ações ambientais das empresas.
Na avaliação da PepsiCo, sustentabilidade já começa a influenciar diretamente a decisão de compra. A companhia afirma que 50% dos consumidores verificam se os produtos foram produzidos de forma ambientalmente responsável, sinalizando uma mudança gradual nos critérios de competitividade dentro do varejo alimentar.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por SuperVarejo






