O Caso Languiru entrou oficialmente em uma nova etapa após a confirmação de que a Polícia Federal convocou um ex-coordenador do Conselho Fiscal da cooperativa para prestar depoimento em Santa Cruz do Sul.
O avanço das investigações ocorre em meio à tentativa da atual gestão de manter ativa uma operação que ainda movimenta cerca de R$ 50 milhões por mês, mesmo diante de um passivo superior a R$ 1 bilhão.
A convocação foi confirmada pelo presidente liquidante da cooperativa, Paulo Birck, e marca os primeiros movimentos concretos das apurações conduzidas a partir de uma auditoria investigativa encomendada pela nova administração logo após a troca de comando da empresa, em maio de 2023.
Segundo Birck, o objetivo do levantamento era identificar as causas da crise financeira e apontar possíveis responsabilidades pela situação que levou uma das maiores cooperativas agroindustriais do Rio Grande do Sul ao colapso operacional e financeiro. O material foi encaminhado inicialmente ao Ministério Público e posteriormente ao Gaeco, grupo especializado no combate ao crime organizado e fraudes financeiras.
A entrada da Polícia Federal adiciona um componente institucional e policial a uma crise que, até então, vinha sendo percebida principalmente pelo impacto econômico sobre produtores, funcionários e fornecedores.
Ao mesmo tempo, a direção da cooperativa afirma que a prioridade continua sendo evitar uma ruptura operacional. A preocupação central é manter o funcionamento das cadeias de aves e suínos, consideradas críticas para geração imediata de caixa. Segundo Birck, quando a atual gestão assumiu a cooperativa, era necessário gerar aproximadamente R$ 2 milhões por dia apenas para sustentar essas operações no campo.
O dado ajuda a dimensionar o tamanho da pressão financeira enfrentada pela Languiru. Mais do que uma crise contábil, a situação atingiu diretamente a capacidade operacional da cooperativa, exigindo decisões rápidas para preservar pagamentos e continuidade produtiva.
A atual administração também admite limites para aprofundar determinadas linhas de investigação sem apoio das autoridades. Medidas como quebra de sigilo bancário e telefônico dependem de autorização judicial, o que amplia o peso das instituições envolvidas no caso.
Mesmo sob investigação, a cooperativa insiste na manutenção da atividade como estratégia para proteger a própria estrutura empresarial e os associados. Segundo Birck, enquanto a operação permanecer ativa, a dívida permanece vinculada ao CNPJ da cooperativa e não diretamente aos produtores associados.
Fundada em 1955, em Teutônia, a Languiru construiu ao longo das décadas uma estrutura diversificada no agronegócio gaúcho, com atuação em leite, aves, suínos, supermercados, rações, frigoríficos, postos de combustíveis e lojas agropecuárias. A expansão consolidou a cooperativa como uma das mais relevantes do Estado, com forte presença regional e integração direta com produtores rurais.
Nos últimos anos, porém, a deterioração financeira levou ao fechamento de unidades, venda de ativos e abertura de investigações internas sobre a gestão anterior. Agora, com o avanço das apurações policiais, o caso deixa de ser apenas uma crise empresarial e passa a ocupar também o centro das atenções institucionais no cooperativismo gaúcho.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Portal Adesso






