O crescimento dos laticínios em Santa Catarina está mostrando uma transformação relevante dentro da cadeia leiteira estadual.
Mais do que um aumento no número de empresas, o movimento indica um avanço da industrialização do leite e uma busca crescente por produtos de maior valor agregado.
Desde 2020, o setor registrou crescimento de 59% no número de empresas ligadas aos laticínios. Com mais de 1.180 empreendimentos, Santa Catarina consolida sua posição entre os principais estados produtores do país, respondendo por cerca de 9% da produção nacional de leite.
O dado ganha relevância porque a expansão ocorre principalmente por meio de micro e pequenas empresas dedicadas à transformação da matéria-prima em queijos, doces e outros derivados. Na prática, isso significa que uma parcela crescente da cadeia está buscando capturar valor além da produção de leite in natura.
A movimentação também altera a dinâmica competitiva do setor. O aumento do número de laticínios amplia a oferta de produtos diferenciados e fortalece a presença de marcas regionais que apostam em identidade própria, proximidade com o consumidor e nichos de mercado específicos.
Ao mesmo tempo, o ambiente de negócios favorável citado pelo setor contribui para atrair novos empreendedores e investidores. O resultado é uma cadeia mais diversificada, com maior participação de empresas que operam em escala reduzida, mas focadas em diferenciação e valor agregado.
Um dos exemplos desse movimento é a queijaria criada por Diane Borges, em Águas Mornas, na Grande Florianópolis. Após deixar a indústria farmacêutica, a empreendedora passou a atuar na produção de queijos artesanais utilizando matéria-prima local. O caso ilustra como o crescimento do segmento vem atraindo profissionais de outras áreas para atividades ligadas ao agronegócio e à transformação de alimentos.
Além da produção, algumas empresas estão incorporando novas estratégias de relacionamento com o mercado. A realização de visitas guiadas e degustações passou a funcionar como uma ferramenta para aproximar consumidores do processo produtivo e fortalecer a identidade das marcas.
Essa combinação entre industrialização, diversificação e valorização dos produtos artesanais ajuda a explicar o avanço do setor catarinense. Mais do que ampliar o número de empresas, o estado demonstra uma tendência de retenção de valor dentro da própria cadeia, fortalecendo a transformação do leite em produtos com maior diferenciação.
Para os agentes do setor lácteo, a principal mensagem é clara: o crescimento não está sendo impulsionado apenas pelo volume produzido, mas pela capacidade de transformar matéria-prima em produtos capazes de gerar mais valor econômico ao longo da cadeia.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Space Money






