O mercado lácteo brasileiro apresentou em maio uma combinação de indicadores que merece atenção de toda a cadeia.
Enquanto o preço do leite ao produtor continuou avançando, os custos operacionais registraram a primeira queda do ano e as exportações cresceram em ritmo superior ao das importações. Juntos, esses movimentos ajudam a explicar um ambiente de negócios mais complexo e dinâmico para produtores e indústrias.
O primeiro sinal vem da matéria-prima. O preço do leite pago ao produtor aumentou pelo quarto mês consecutivo. Segundo levantamento do Cepea, a Média Brasil alcançou R$ 2,6584 por litro em abril, alta de 10,4% frente a março. O movimento segue associado à redução da produção decorrente da sazonalidade e à maior concorrência entre os laticínios pela aquisição de leite cru.
Para a indústria, esse cenário indica que a disputa pela captação continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre as operações. Mesmo assim, os derivados apresentaram comportamentos distintos no atacado paulista durante maio.
Enquanto o leite UHT registrou recuo nos preços, a muçarela e o leite em pó mantiveram estabilidade. A muçarela avançou 0,12%, encerrando o mês com média de R$ 35,10 por quilo. Já o leite em pó teve alta de 0,13%, alcançando média de R$ 30,89 por quilo. O resultado sugere maior sustentação desses produtos em comparação ao leite longa vida.
O segundo sinal relevante veio do comércio exterior. Tanto as importações quanto as exportações brasileiras de lácteos cresceram em maio. No entanto, os embarques avançaram proporcionalmente mais.
As importações aumentaram 3,58% em relação a abril, totalizando 226,21 milhões de litros Equivalente-Leite. Já as exportações registraram crescimento de 45,33%, alcançando 5,81 milhões de litros Equivalente-Leite. Embora as compras externas continuem muito superiores em volume, o desempenho dos embarques se destaca como uma das principais mudanças observadas no mês.
O terceiro sinal está nos custos de produção. Após quatro meses consecutivos de alta, o Custo Operacional Efetivo registrou em maio sua primeira queda de 2026 na Média Brasil. O recuo foi de 1,39% frente ao mês anterior.
A redução foi influenciada principalmente pelas quedas observadas nas categorias de nutrição animal e operações mecanizadas. Apesar disso, o indicador ainda acumula avanço de 1,80% no ano, mostrando que o alívio recente não elimina a pressão acumulada desde o início de 2026.
A combinação desses fatores desenha um mercado em que a oferta mais restrita continua valorizando a matéria-prima, mas onde começam a surgir sinais de alívio em parte da estrutura de custos. Ao mesmo tempo, o avanço das exportações e a firmeza de importantes derivados acrescentam novos elementos à leitura de mercado, exigindo atenção redobrada dos agentes da cadeia para os próximos movimentos.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Acrissul






