Um comentário do CEO global da Lactalis, Emmanuel Besnier, sobre os planos de expansão da companhia na Ásia acabou revelando um dado que interessa diretamente à cadeia láctea brasileira.
Segundo reportagem do jornal australiano Australian Financial Review (AFR), Besnier afirmou que a Austrália, quando concluir sua trajetória de crescimento dentro do grupo, “se tornará nosso quinto maior mercado, depois de França, EUA, Canadá e Brasil”.
A frase coloca o Brasil, hoje, entre os quatro mercados mais relevantes da Lactalis em todo o mundo — à frente da própria Austrália, que a multinacional francesa aponta como sua principal plataforma de crescimento na região asiática.
O comentário foi feito no contexto do anúncio do plano de expansão da Lactalis para a Ásia-Pacífico, no qual a Austrália aparece como peça central. Segundo a reportagem, a companhia construiu ao longo da última década uma posição dominante na manufatura e no varejo australianos, a partir da aquisição da Parmalat local e da incorporação de marcas como Pauls, Oak, Vaalia e Jalna ao seu portfólio.
Apesar de desafios estruturais na cadeia láctea da Austrália — como a redução do volume nacional de leite captado e a pressão persistente sobre as margens —, Besnier destacou que o país continua oferecendo fundamentos comerciais sólidos e leite cru de alta qualidade.
Para o executivo, esses elementos sustentam o papel da Austrália não apenas no atendimento ao consumo interno, mas também como plataforma de manufatura para abastecer mercados em rápido crescimento no Sudeste Asiático.
De acordo com o AFR, a estratégia prevê o aumento das exportações de produtos lácteos de maior valor agregado, leite fresco e linhas especializadas de iogurte processadas em unidades industriais na Austrália, com destino a países como Indonésia, Vietnã, Singapura e Filipinas. A aproximação geográfica e os canais comerciais já estabelecidos com esses mercados são citados como vantagens competitivas para a operação australiana dentro do grupo.
A fala do CEO também reflete, segundo a reportagem, uma tendência mais ampla entre grandes processadores multinacionais: direcionar capital para categorias de consumo de maior margem e para a integração de cadeias de suprimento regionais.
Nesse sentido, Besnier reforçou que a manutenção de parcerias sólidas com famílias produtoras de leite na Austrália, somada a investimentos direcionados em infraestrutura de processamento, é considerada essencial para garantir resiliência operacional e defender espaço de mercado frente à concorrência global.
Ao encerrar sua análise sobre a região, a reportagem do AFR destaca que a estratégia de Besnier reforça a dupla importância da Austrália para a Lactalis: como mercado doméstico lucrativo e como ponte comercial para a Ásia.
Ancorando suas ambições de crescimento na Ásia-Pacífico em torno das operações australianas, a companhia busca assegurar crescimento de volume no longo prazo, melhorar a confiabilidade do fornecimento na porteira da fazenda e consolidar sua posição como a maior processadora de laticínios do mundo — um objetivo que, pelas próprias palavras do CEO, ainda depende de superar o Brasil na lista dos mercados mais importantes do grupo.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por EDairy News En






