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3 ago 2026
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Presidente do Sindileite-SC detalha os números que explicam por que o produtor catarinense ganha menos que os vizinhos 📊
impostos
Selvino Giesel, durante entrevista ao programa Espaço Aberto, da RCO.

A conta é simples de fazer e difícil de engolir: as indústrias de laticínios de Santa Catarina pagam cerca de R$ 300 milhões a mais por ano em tributos do que suas concorrentes no Paraná e no Rio Grande do Sul.

É o que aponta um levantamento do Sindileite-SC, apresentado pelo presidente da entidade, Selvino Giesel, durante entrevista ao programa Espaço Aberto, da RCO.

Se essa diferença fosse zerada, segundo Giesel, sobraria margem para pagar cerca de R$ 0,05 a mais por litro ao produtor catarinense. Não é um valor simbólico: é dinheiro que hoje fica pelo caminho por causa de uma política tributária que, na avaliação do dirigente, coloca o estado em desvantagem desde 2012.

“Nós não queremos nenhuma vantagem. Queremos apenas as mesmas condições que o Rio Grande do Sul e o Paraná têm. Precisamos resolver isso definitivamente por meio de uma lei, e não através de programas temporários ou remendos”, afirmou Giesel, que também preside o Conseleite-SC.

O setor já levou esse diagnóstico a diferentes gestões estaduais ao longo dos anos, mas, segundo ele, sem uma solução permanente. Programas como o Pronampe Leite, que oferece crédito com juros subsidiados, e outras medidas emergenciais do Governo do Estado aliviaram o caixa de indústrias e produtores em momentos pontuais — mas não substituem, na visão do dirigente, uma política estrutural de competitividade. A expectativa agora recai sobre a reforma tributária, que poderia reduzir parte dessa desigualdade entre estados.

O Brasil também perde para os vizinhos

A desigualdade interna é só metade do problema. Giesel lembra que o custo de produção brasileiro segue mais alto do que o de Argentina e Uruguai, países que trabalham com propriedades maiores, alimentação animal mais barata e menor carga tributária sobre equipamentos e investimentos.

O frete é um exemplo direto do tamanho da distância. Levar o leite até o consumidor custa, em média, entre R$ 0,13 e R$ 0,14 por litro no Brasil — praticamente o dobro dos R$ 0,08 pagos na Argentina.

Essa diferença de custo, segundo o presidente do Sindileite, também ajuda a explicar outro ponto sensível: o preço do leite importado. Estudos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), citados por Giesel, indicam que produtos argentinos e uruguaios chegam ao mercado brasileiro mais baratos do que são vendidos nos próprios países de origem.

“Está sendo comprovado que eles maquiam os custos e vendem para o Brasil por valores diferentes dos praticados internamente. Essa não é uma competição real, é uma competição artificial, que prejudica nossas indústrias e nossos produtores”, disse.

Apesar do cenário, Giesel é otimista quanto ao médio prazo. Para ele, o Brasil já provou que consegue ganhar eficiência em outras cadeias — aves, suínos e grãos — e o leite deve seguir o mesmo caminho, à medida que cresce a escala de produção e avança a profissionalização do setor.

Depois da seca, o risco agora é o excesso de chuva

Enquanto discute impostos e concorrência internacional, o setor também observa o céu com atenção. Depois de enfrentar cerca de três anos seguidos de estiagem — que já haviam encarecido a produção —, os produtores catarinenses agora se preparam para o cenário oposto: a possibilidade de um El Niño trazer excesso de chuvas à região Sul.

O problema, explica Giesel, é que chuva em excesso também prejudica o desenvolvimento das pastagens, forçando os produtores a comprar mais ração para manter a alimentação do rebanho — o que empurra os custos de produção para cima novamente, ainda que por um motivo oposto ao da seca.

A lista de gargalos que pressionam o bolso do produtor não para por aí. Giesel citou ainda a qualidade do fornecimento de energia elétrica e o estado das estradas rurais como pontos que precisam de atenção urgente.

“A questão da energia elétrica precisa ser debatida. O produtor depende de um fornecimento estável e de qualidade, assim como as indústrias. Também precisamos melhorar as estradas, porque já temos um custo de transporte bastante elevado”, concluiu.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por RCO

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