ESPMEXENGBRAIND
3 ago 2026
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🐃 Um leite que não tinha uso na fazenda virou sorvete artesanal e já força a compra de mais animais e novos equipamentos.
búfalas
Com apenas dois ingredientes, um sorvete artesanal esgotou a produção prevista e mudou os planos de uma fazenda pernambucana.

Durante anos, o leite das búfalas do Engenho Conceição, em Escada, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, não tinha destino definido.

Quando o produtor Alfredo Neto comprou os primeiros animais, uma das matrizes chegava a produzir cerca de sete litros por dia, mas faltava um plano para aproveitar essa matéria-prima. Depois de tentativas com manteiga e queijo, foi um sorvete que resolveu esse impasse — e hoje sustenta um negócio de R$ 100 mil em investimentos.

A ideia surgiu durante uma viagem do casal a uma propriedade rural em Garanhuns, onde Alfredo conheceu uma sorveteria instalada dentro de uma fazenda. Ao pesquisar, não encontrou nenhum produtor fazendo sorvete de leite de búfala em Pernambuco. A decisão de criar a Doce Búfala nasceu naquele momento.

O caminho até a receita final não foi simples. Cerca de 200 litros de leite foram usados em testes frustrados, até que a fórmula surgiu de um jeito inusitado: Alfredo sonhou que preparava o sorvete, acordou de madrugada, anotou a receita e a reproduziu no dia seguinte. É essa mesma receita que a marca usa até hoje.

O carro-chefe da Doce Búfala, o sabor doce de leite, tem apenas dois ingredientes — leite de búfala e açúcar, este em torno de 10% —, sem aromatizantes ou conservantes. A linha inclui ainda os sabores café, nibs de cacau e licor de melaço, este último desenvolvido em parceria com a Cachaça Água Doce.

O teste de mercado veio na Fenearte, feira em que a fazenda estreou o produto neste ano. A Doce Búfala levou cerca de 900 potes preparados com antecedência, mas precisou praticamente dobrar a produção ao longo do evento para atender à procura, chegando a aproximadamente 2 mil unidades vendidas.

A demanda foi tão acima do esperado que a produção própria de leite não deu conta: a fazenda passou a comprar leite diariamente de um criador vizinho, referência na bubalinocultura do estado, para manter a fabricação durante a feira.

O resultado da Fenearte acelerou decisões que já estavam nos planos. Dos R$ 100 mil investidos até agora, parte foi para a compra de cinco novas búfalas — que devem elevar o rebanho que hoje abastece a fábrica, atualmente formado por cinco animais —, além da adaptação das instalações, compra de equipamentos de sorveteria e reforma do espaço de produção.

Com isso, a fábrica passou a ter capacidade para processar cerca de 40 litros de sorvete por dia, com possibilidade de ampliação conforme a oferta de leite crescer.

Hoje, além das vendas durante visitas turísticas à fazenda, a Doce Búfala negocia parcerias com revendedores e distribuidores para chegar ao Recife, e também pretende participar de feiras gastronômicas em parques da capital para ganhar espaço entre o consumidor urbano.

O sorvete não é a primeira aposta de Alfredo Neto em agregar valor ao que é produzido no Engenho Conceição. Antes dele, veio a marca de chocolates Alteva, com produção artesanal no conceito “tree to bar”, em que todas as etapas — do cultivo do cacau à fabricação do produto final — são feitas pela própria empresa.

Foi essa experiência que deu ao produtor a base para enxergar, agora, no leite de búfala, uma nova oportunidade de transformar matéria-prima da fazenda em produto de maior valor agregado.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Movimento Econômico

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