Mato Grosso, um dos principais protagonistas do agronegócio brasileiro, deixou de produzir leite longa vida (UHT) em escala comercial após cerca de uma década de perda de competitividade da cadeia láctea.
O movimento não representa apenas o fim de uma linha de produtos, mas uma mudança no perfil industrial do estado, com impactos sobre produtores, trabalhadores e o abastecimento regional.
Durante esse período, tradicionais indústrias responsáveis pela produção de leite UHT encerraram essa atividade. Entre elas estavam a Leite Nenê, em Nova Canaã do Norte, a Lacbom, da Coopnoroeste, em Araputanga, e o Laticínio Vencedor, em São José dos Quatro Marcos. Essas empresas tiveram papel relevante na geração de empregos, renda e mercado para centenas de produtores rurais.
Com a interrupção da produção de leite longa vida, o abastecimento do produto consumido em Mato Grosso passou a depender predominantemente de indústrias instaladas em outros estados. Ao mesmo tempo, a indústria local redirecionou sua atuação para outros derivados lácteos, alterando o perfil de processamento da matéria-prima produzida no estado.
A mudança evidencia uma perda de capacidade industrial que vai além do segmento de leite UHT. Para a cadeia produtiva, a redução da industrialização significou menos opções de processamento local e o encerramento de linhas de produção que durante anos sustentaram parte da atividade leiteira regional.
Representantes do setor e produtores atribuem esse cenário à falta de ações estruturantes capazes de preservar a competitividade da cadeia leiteira durante a gestão do governador Mauro Mendes. Segundo essas lideranças, a combinação entre perda de competitividade, fechamento de unidades produtivas e abandono da atividade por parte de muitos pecuaristas levou ao enfraquecimento da industrialização do leite no estado.
Em 2026, o Governo de Mato Grosso anunciou incentivos fiscais voltados ao fortalecimento dos laticínios. No entanto, lideranças do setor avaliam que as medidas foram implementadas somente após anos de perdas acumuladas, quando parte da capacidade industrial já havia sido reduzida.
O resultado é um cenário considerado preocupante para a cadeia láctea estadual. Apesar de sua relevância no agronegócio brasileiro, Mato Grosso deixou de produzir comercialmente um dos alimentos mais presentes na mesa dos consumidores. Com isso, o estado passou a depender do fornecimento de leite UHT vindo de outras regiões, enquanto sua indústria se concentra na fabricação de outros derivados lácteos.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Expressão Notícias






