Queda, piso e virada: o que a resolução de junho do Conseleite MG revela para a cadeia láctea
O preço do leite em Minas Gerais caiu, mas o recuo pode ter chegado ao fim. A Resolução Junho/2026, aprovada pelo Conseleite Minas Gerais em 24 de junho, confirma uma contração uniforme de 2,8% nos valores de referência do leite entregue em maio e projeta uma recuperação de 0,5% para o leite entregue em junho, que será pago em julho.
O movimento interessa a toda a cadeia: produtores que negociam contratos, indústrias que planejam custos de matéria-prima e cooperativas que precisam sinalizar perspectiva a seus associados.
O que mudou e o que está projetado
Para o leite entregue em maio e pago em junho, a correção foi para baixo em todas as categorias, sem exceção e na mesma proporção: -2,8%. O valor base de referência, que serve de âncora para a maioria das negociações, recuou de R$ 2,6536 para R$ 2,5786 por litro.
Já para o leite entregue em junho e pago em julho, a projeção aponta recuperação de 0,5% em todas as faixas. O valor base passa a R$ 2,5910, o valor médio a R$ 2,7753 e o maior valor de referência a R$ 2,6646. A variação é modesta em termos absolutos, mas o sinal de direção importa tanto quanto a magnitude.
Os derivados explicam a virada
A resolução detalha as variações de preço dos produtos finais das indústrias participantes, e elas ajudam a entender a projeção positiva de junho. Mussarela e leite UHT, dois dos principais destinos do leite processado em Minas, registraram altas no período parcial de junho: +2,4% e +1,3%, respectivamente. Leite condensado também subiu 1,3%. Esses movimentos, que o Conseleite pondera em seu mix de comercialização, sustentam a projeção de melhora para o produtor.
O leite em pó apresenta comportamento misto: alta de 0,8% no período anterior e leve recuo de 0,1% no parcial de junho. Os demais produtos registraram queda de 0,9%, sinalizando que a recuperação não é generalizada no portfólio industrial.
A brecha de qualidade: o dado que mais impacta decisões
Um ponto frequentemente subestimado nesta resolução é o spread entre o maior e o menor valor de referência. Para o leite pago em julho, a diferença chega a R$ 0,8656 por litro, o que representa 36% a mais para quem produz com qualidade e volume elevados, em relação a quem está na faixa mínima.
O leite base de referência é definido como o leite com 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual de até 160 litros por dia. O maior valor de referência, em contrapartida, corresponde a 4,20% de gordura, 3,80% de proteína, CCS de 200 mil e CBT de apenas 20 mil ufc/ml, com volume de 8.000 litros/dia.
Para o produtor, isso significa que a gestão da qualidade do leite não é apenas um requisito sanitário: é uma alavanca de receita mensurável. Para a indústria, reflete o diferencial que ela pode comunicar ao mercado ao trabalhar com matéria-prima de melhor padrão.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Conseleite Minas Gerais_






