ESPMEXENGBRAIND
13 ago 2026
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Uma descoberta em Jerusalém revelou um comportamento celular inesperado e abriu uma nova frente para produzir proteínas lácteas 🌱
planta
Pesquisadores encontraram uma forma inédita de armazenar proteína do leite em sementes e levaram o experimento a outra espécie 🔬

Uma proteína do leite produzida dentro de uma planta.

A proteína do leite foi sintetizada por pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém em sementes geneticamente alteradas, em um experimento que revelou algo que os cientistas não esperavam encontrar.

O trabalho foi realizado com β-caseína, uma das proteínas centrais do leite bovino. Em vez de simplesmente reproduzir um processo conhecido, a pesquisa encontrou uma rota celular diferente para o armazenamento dessa proteína dentro das sementes.

O resultado pode ser particularmente relevante porque a agricultura molecular em plantas busca justamente produzir proteínas lácteas autênticas sem depender da criação de animais.

O que aconteceu dentro da semente

Os pesquisadores partiram de plantas de Arabidopsis geneticamente modificadas para sintetizar β-caseína. A expectativa inicial era que a proteína se acumulasse em vacúolos, compartimentos tradicionalmente associados ao armazenamento nas células vegetais.

A microscopia eletrônica de transmissão mostrou outra coisa.

A β-caseína apareceu agrupada junto a pequenos corpos lipídicos, formando estruturas semelhantes às micelas de caseína encontradas naturalmente no leite. Com a utilização de nanopartículas de ouro, os cientistas conseguiram identificar e mapear esses aglomerados ricos em proteína dentro das células.

Foi justamente essa localização inesperada que chamou atenção no estudo.

As plantas de melhor desempenho chegaram a produzir aproximadamente 1,26% de β-caseína em relação à proteína solúvel total das sementes. Segundo a pesquisa, esse nível supera o registrado em muitos trabalhos anteriores sobre produção de caseína em plantas.

Mais do que produzir: encontrar onde armazenar

O achado não se limita à quantidade de proteína produzida.

A equipe identificou um mecanismo celular vegetal ainda não documentado que pode influenciar futuras estratégias de obtenção de proteínas do leite. A rota alternativa de armazenamento permitiu que as plantas acumulassem a proteína sem comprometer a germinação saudável das sementes.

Esse ponto é importante para a própria lógica da tecnologia: não basta fazer uma planta produzir uma proteína complexa. É necessário que ela consiga armazená-la de maneira compatível com o funcionamento da semente.

Foi justamente nesse processo que a pesquisa encontrou seu elemento mais inesperado.

Da Arabidopsis ao cártamo

O experimento também avançou além da planta modelo utilizada inicialmente.

Os cientistas conseguiram fazer plantas de cártamo produzirem proteínas do leite. A escolha amplia o interesse da tecnologia porque o cártamo é uma oleaginosa capaz de crescer em climas quentes e terras áridas.

A pesquisa, portanto, não ficou restrita à demonstração de que uma planta pode sintetizar β-caseína. Ela também levou a abordagem para uma espécie com características diferentes da Arabidopsis.

Uma nova frente para a produção de proteínas

A motivação para esse tipo de pesquisa está relacionada ao crescimento da demanda global por laticínios e, ao mesmo tempo, às preocupações com emissões de gases de efeito estufa, uso de água e ocupação de terras pela pecuária.

A agricultura molecular em plantas aparece nesse cenário como uma alternativa para produzir proteínas lácteas sem depender de animais.

O trabalho foi liderado pelo professor Oded Shoseyov, da Faculdade Robert H. Smith de Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Entre os principais responsáveis pelo estudo estão Almog Ozeri, Mai Shamir, Miron Abramson, Barak Cohen e Amir Rudich.

Os resultados foram divulgados na revista Frontiers in Plant Science.

Ainda se trata de uma tecnologia de pesquisa. Mas o caminho já apresenta dois elementos concretos: uma planta produzindo β-caseína e um mecanismo celular inesperado permitindo seu armazenamento. Com a aplicação em cártamo, a experiência também mostra que a abordagem pode avançar além da planta utilizada originalmente.

Se essa tecnologia chegar a uma escala comercial, a maneira de produzir proteínas do leite poderá ganhar uma nova rota — desta vez, cultivada em plantas.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Compre Rural

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