O monitoramento inteligente começa a ocupar um espaço mais estratégico na pecuária leiteira mexicana: o acompanhamento dos animais jovens.
A discussão ganhou destaque durante o FONA Holstein 2026, realizado em Querétaro, onde especialistas, produtores e assessores técnicos discutiram ferramentas voltadas à produtividade, ao bem-estar animal e à eficiência das propriedades.
Os dados apresentados no evento dimensionaram o peso da atividade no país. Segundo informações da SADER citadas durante o fórum, o México produz aproximadamente 13 bilhões de litros de leite bovino por ano e é o segundo maior produtor da América Latina e o oitavo do mundo. O índice de autossuficiência é próximo de 77%, o que significa que quase oito em cada dez litros consumidos no país são provenientes de propriedades nacionais.
Nesse cenário, a atenção às primeiras etapas da vida dos animais ganhou espaço.
O dado antes do problema
Durante o encontro, a MSD Salud Animal apresentou o SenseHub Youngstock em sua versão Cubeta, uma solução destinada ao acompanhamento individualizado do gado jovem desde as primeiras fases de desenvolvimento.
A proposta apresentada no evento parte da coleta de informações em tempo real. A tecnologia registra padrões de comportamento, nível de atividade e parâmetros de saúde, permitindo acompanhar individualmente os animais.
A lógica destacada pelos especialistas é deslocar parte do manejo para uma atuação preventiva. Em vez de depender apenas da identificação de sinais já evidentes, os dados passam a integrar o acompanhamento cotidiano e podem ajudar a antecipar quadros patológicos.
Para médicos veterinários e produtores, isso cria uma nova camada de informação para decisões relacionadas aos protocolos de manejo.
A recria como ponto de decisão
O destaque dado aos animais jovens não ficou restrito ao monitoramento sanitário.
Durante o FONA Holstein 2026, o especialista Albert De Vries, da Universidade da Flórida, participou de uma conferência sobre a relação entre eficiência reprodutiva e rentabilidade econômica da propriedade leiteira.
A conexão entre esses dois temas reforça uma das mensagens centrais apresentadas no evento: decisões tomadas ao longo do desenvolvimento do rebanho têm relação com a eficiência econômica da unidade produtiva.
Nesse contexto, a digitalização da recria aparece associada não apenas à coleta de dados, mas à possibilidade de utilizar essas informações para orientar o manejo.
Tecnologia e bem-estar no mesmo sistema
O avanço dessas ferramentas foi apresentado dentro de uma abordagem que reúne produtividade, sustentabilidade, biossegurança e bem-estar animal.
O FONA Holstein 2026, organizado entre 27 e 29 de julho por Holstein de México, reuniu especialistas, produtores e assessores técnicos internacionais em Querétaro. A adoção de ferramentas de precisão foi colocada entre os caminhos discutidos para sustentar a produtividade do rebanho diante de uma demanda crescente por alimentos seguros e sustentáveis.
A perspectiva de One Health, ou Uma Só Saúde, também esteve presente nesse debate, conectando a inovação tecnológica ao cuidado com os animais e à sustentabilidade da atividade.
O ponto de mudança está justamente aí: a recria deixa de ser apenas uma etapa a ser acompanhada e passa a ser observada também como uma fonte contínua de informação. No modelo apresentado no México, comportamento, atividade e saúde entram no mesmo campo de análise — e o objetivo é transformar esses dados em decisões mais preventivas dentro da propriedade.
*Produzido pela eDairyNews Br, com informações publicadas por Dairy News Mx






