A produção leiteira de Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul, foi diretamente atingida pelos cinco dias sem energia elétrica após a passagem de um ciclone.
Segundo levantamento do escritório local da Emater, 15 famílias tiveram perdas ou custos adicionais, enquanto o impacto somado às atividades de pesca artesanal chegou a aproximadamente R$ 632.460.
O levantamento mostra um efeito particular da interrupção de energia sobre atividades que dependem de equipamentos de refrigeração e armazenamento. No caso do leite, parte dos produtores não conseguiu conservar a produção. Outros precisaram recorrer a geradores, elevando os custos.
Dos 15 estabelecimentos leiteiros afetados, 12 tiveram custos extras com geradores e combustível. Outras três famílias perderam toda a produção devido à dificuldade de armazenamento. O prejuízo estimado para a cadeia leiteira foi de R$ 11.460.
A chefe do escritório da Emater de Santa Vitória do Palmar, Maria Inêz Alves Vieira, explica que o impacto ocorreu por duas vias: a perda do produto e o aumento do custo para manter os resfriadores funcionando.
O maior impacto ficou na pesca artesanal
Embora a cadeia leiteira tenha sido afetada diretamente, o levantamento da Emater aponta um prejuízo muito maior na pesca artesanal.
Foram 115 famílias atingidas pela perda de 6.900 quilos de peixe. O levantamento também contabilizou 34.500 quilos referentes ao período sem produtividade. Somadas as perdas, o prejuízo estimado chegou a aproximadamente R$ 621 mil.
A falta de energia também provocou dificuldades para manter os peixes armazenados em freezers. A ausência de gelo no município agravou o problema, enquanto os dias sem atividade reduziram a produtividade.
O resultado foi uma diferença expressiva entre as duas atividades: R$ 621 mil estimados para a pesca artesanal, contra R$ 11.460 para a cadeia leiteira.
Geradores evitaram perdas, mas aumentaram a conta
Para os produtores de leite que conseguiram manter os equipamentos funcionando, a alternativa teve um custo adicional.
A necessidade de utilizar geradores para manter os resfriadores em operação transformou a falta de energia em uma despesa direta de produção. Para quem não conseguiu essa alternativa, o problema foi diferente: a impossibilidade de conservar o leite resultou na perda da produção.
O prefeito Andre Selayaran afirmou que a produção de grãos não sofreu impacto significativo, mas destacou as perdas registradas na produção leiteira e na pesca artesanal.
Santa Vitória do Palmar decretou situação de emergência nível dois e iniciou o levantamento dos prejuízos para buscar recursos públicos destinados à recomposição das perdas.
Em Pedro Osório, perdas chegaram a R$ 150 mil
O impacto do evento também foi registrado em Pedro Osorio, embora a produção agrícola tenha sido pouco afetada, segundo a Emater local.
De acordo com o levantamento preliminar apresentado pela chefe do escritório da Emater no município, Carine Harter, o tornado que passou pela zona rural provocou principalmente danos em casas e estruturas, com prejuízo geral estimado em R$ 1,9 milhão.
Na produção, foram registrados dois hectares de milho, sete hectares de floresta de eucalipto e duas ovelhas perdidos. O prejuízo agrícola preliminar foi estimado em R$ 150 mil.
Os números de Santa Vitória do Palmar mostram que, para atividades dependentes de refrigeração e armazenamento, cinco dias sem energia não representam apenas uma interrupção operacional: podem significar produto perdido ou uma elevação imediata dos custos para tentar preservá-lo.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por A Hora do Sul






