ESPMEXENGBRAIND
1 jul 2026
ESPMEXENGBRAIND
1 jul 2026
⛪ Com apenas 100 unidades por mês, o Queijo Frei Rosário une fé, cultura e maturação artesanal em um dos cenários mais emblemáticos de Minas.
🏔️ Na Serra da Piedade, um queijo artesanal transforma história, silêncio e tempo em um produto que já desperta fila de espera.
🏔️ Na Serra da Piedade, um queijo artesanal transforma história, silêncio e tempo em um produto que já desperta fila de espera.

Há lugares onde o tempo parece seguir outro ritmo. No alto da Serra da Piedade, em Caeté, um queijo permanece fiel a esse compasso lento.

O Queijo Frei Rosário não nasce apenas do leite e da maturação: ele carrega uma tradição iniciada há mais de sete décadas e que continua sendo preservada quase da mesma forma desde suas origens.

Produzido em pequena escala, o queijo se tornou um dos patrimônios gastronômicos ligados ao Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade. A procura supera a oferta, criando uma fila de espera para adquirir uma produção que nunca ultrapassa 100 unidades por mês.

Essa história começou com a chegada de Frei Rosário ao Santuário, em 1948. Diante das dificuldades para conservar alimentos, o religioso utilizou os conhecimentos adquiridos durante sua formação como dominicano na França e implantou, na década de 1950, a técnica de maturação de queijos na região.

Embora exista uma versão popular que atribua a criação do queijo ao esquecimento de uma peça em um armário, o reitor do Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade, padre Wagner Calegário, considera mais provável que o método tenha sido resultado dos estudos desenvolvidos pelo próprio Frei Rosário.

Segundo o sacerdote, o religioso também criou outros produtos, como o Pão do Frei, a Rosca da Rainha e o Licor de Laranja Campista, evidenciando seu perfil de pesquisador e experimentador.

Uma caverna onde o tempo faz parte da receita

O processo de maturação continua sendo um dos maiores diferenciais do Queijo Frei Rosário.

A afinação acontece em uma cava especial, onde temperatura e umidade permanecem sob rigoroso controle. O ambiente varia entre 11°C e 18°C, enquanto a umidade permanece em torno de 99%.

Antes de chegar ao consumidor, cada peça permanece em maturação por, no mínimo, 35 dias, período necessário para desenvolver aroma, textura e sabor característicos.

Segundo o padre Wagner, as condições climáticas e biológicas do Alto da Serra da Piedade contribuíram para tornar o produto único. A experiência acumulada ao longo dos anos também ajudou a embasar a legislação brasileira relacionada à maturação de queijos com fungos.

Produção pequena para preservar a identidade

Nada no processo foi pensado para escala industrial.

Uma equipe formada por apenas quatro pessoas acompanha todas as etapas da produção artesanal, garantindo que cada queijo mantenha as características construídas ao longo das décadas.

Hoje, são produzidas no máximo 100 unidades por mês. A alta procura fez surgir uma fila de espera, e os estudos atuais buscam apenas uma ampliação moderada da produção, sem comprometer o caráter artesanal do produto.

Segundo o padre Wagner, mesmo com eventuais ajustes, a fabricação continuará limitada diante da demanda.

Um reconhecimento construído sem competições

Curiosamente, o Queijo Frei Rosário nunca participou de concursos ou premiações.

Ainda assim, sua reputação ultrapassou as fronteiras do Santuário. O produto foi apresentado para degustação na escola francesa Le Cordon Bleu, por meio da Rota do Queijo, e também foi levado pelo Senac para encontros nacionais e internacionais, ampliando sua visibilidade na gastronomia.

Muito além do alimento

Para o Santuário, o queijo representa mais do que uma tradição gastronômica.

Segundo o padre Wagner, ele simboliza a resistência e a esperança das milhares de pessoas que passaram pelo local ao longo das décadas. Na visão do sacerdote, a transformação vivida durante a maturação do queijo guarda semelhanças com a experiência de quem visita a Serra da Piedade, marcada pela paisagem, pelo silêncio e pela luz do lugar.

Essa ligação entre patrimônio, cultura e espiritualidade também será destacada durante a primeira edição da Rota do Queijo de Minas, realizada na Serra da Piedade. O evento reunirá produtores artesanais, degustações, cozinha ao vivo, exposições, restaurantes locais e apresentações musicais, além de valorizar os territórios produtores de queijo e fortalecer o turismo de experiência.

Enquanto isso, na cava onde tudo acontece lentamente, o tempo continua sendo um dos ingredientes mais importantes. E talvez seja justamente essa demora que transforme o Queijo Frei Rosário em uma das histórias mais singulares da tradição queijeira mineira.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Metropoles

Te puede interesar

Notas Relacionadas

Faça login na minha conta