A captação de leite no Uruguai voltou a crescer em maio e confirmou um movimento que já deixou de ser pontual para se tornar uma tendência do mercado.
Com dez meses consecutivos de expansão, as indústrias receberam o maior volume já registrado para o mês de maio, reforçando um cenário de maior disponibilidade de matéria-prima e consolidando um novo ciclo positivo para o setor.
Os números divulgados pelo Instituto Nacional do Leite (Inale) mostram que, em maio de 2026, o ingresso de leite nas indústrias — incluindo tanto o leite entregue pelos produtores quanto a produção própria das empresas — alcançou 188,4 milhões de litros, alta de 10,2% em relação ao mesmo mês de 2025.
Mais do que um recorde mensal, o resultado amplia uma sequência iniciada em agosto de 2025 e confirma que a expansão da oferta permanece consistente ao longo do tempo.
Crescimento aparece em todas as referências do mercado
O avanço não ficou restrito ao desempenho de maio.
Nos cinco primeiros meses de 2026, a captação totalizou 829,2 milhões de litros, crescimento de 10% frente ao mesmo período do ano anterior.
Quando considerada a janela móvel de junho de 2025 a maio de 2026, o volume recebido pelas indústrias chegou a 2,286 bilhões de litros, aumento de 10,2% sobre os doze meses anteriores.
A repetição desse ritmo em diferentes períodos indica que o crescimento deixou de depender de um único mês favorável e passou a caracterizar uma trajetória consistente da oferta.
Não cresce apenas o volume: aumentam também os sólidos
Os indicadores de gordura e proteína acompanharam a expansão.
Em maio, a produção de sólidos alcançou 15,4 milhões de quilos, avanço de 13,2% em comparação com maio de 2025.
Entre janeiro e maio, foram produzidos 66,4 milhões de quilos de sólidos, alta de 11,7%.
No acumulado dos últimos doze meses, o total chegou a 178,7 milhões de quilos, crescimento de 11,9%.
Esse comportamento mostra que o aumento da produção veio acompanhado de maior volume de componentes valorizados pela indústria.
Qualidade segue em evolução
Os indicadores de composição do leite também apresentaram melhora.
O teor de gordura atingiu 4,20% em maio de 2026, acima dos 4,10% registrados um ano antes.
A proteína passou de 3,63% para 3,74% na mesma comparação.
Na média de 2025, tanto gordura quanto proteína ficaram aproximadamente 1% acima dos níveis observados em 2024.
Um recorde que reforça uma tendência
O melhor maio da história supera o recorde anterior, registrado em maio de 2025, quando a indústria havia recebido 170,9 milhões de litros.
Considerando toda a série histórica do Inale, iniciada em 2002, o maior volume mensal continua sendo o de outubro de 2025, com 222 milhões de litros, enquanto o menor registro ocorreu em maio de 2003, com 68,7 milhões de litros.
Também no resultado anual a evolução é evidente. Depois da queda observada em 2024, quando a captação recuou para 2,040 bilhões de litros, o setor voltou a crescer em 2025, alcançando 2,212 bilhões de litros, o maior volume anual deste século.
Os dados de maio mostram que o mercado uruguaio entra na segunda metade de 2026 sustentado por uma oferta crescente de leite, maior produção de sólidos e indicadores de qualidade em evolução.
A combinação desses fatores consolida um ambiente de expansão da matéria-prima para a indústria e reforça que o crescimento observado desde agosto de 2025 continua sendo o principal movimento do setor leiteiro uruguaio.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Sindilat







