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2 jul 2026
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📉 O preço do leite esconde realidades distintas entre as regiões, enquanto derivados e comércio exterior ampliam os desafios do setor.
Preço do leite permanece próximo da estabilidade, mas a oferta regional e o avanço das importações mudam os sinais do mercado.
Preço do leite permanece próximo da estabilidade, mas a oferta regional e o avanço das importações mudam os sinais do mercado.

O preço do leite pago ao produtor entrou em uma fase de estabilidade aparente, mas os indicadores mostram que o mercado brasileiro está longe de apresentar um comportamento uniforme.

Em maio, a Média Brasil calculada pelo Cepea ficou em R$ 2,6617 por litro, com recuo de 0,45% frente a abril e valor 3,8% inferior, em termos reais, ao registrado no mesmo mês de 2025.

Por trás desse movimento, o mercado revela duas dinâmicas bastante diferentes. Enquanto Sudeste e Centro-Oeste continuam enfrentando uma oferta limitada de leite, mantendo a concorrência entre os laticínios pela matéria-prima, a realidade do Sul segue outro caminho, com aumento da disponibilidade de leite pressionando as cotações ao produtor.

Essa diferença regional é sustentada por fatores distintos. Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, a menor oferta permanece ligada à sazonalidade e à redução dos investimentos realizados pelos produtores após as margens mais apertadas observadas em 2025. Com menos leite disponível, a disputa entre as indústrias continua sustentando os preços.

Já no Sul, a melhora das condições climáticas, o desenvolvimento das pastagens de inverno e a recuperação da produção elevaram a oferta, criando um ambiente de maior pressão sobre os valores pagos aos produtores.

Os números da captação reforçam que o abastecimento ainda não apresenta uma recuperação consistente em nível nacional. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) registrou leve alta de 0,07% entre abril e maio na Média Brasil. No acumulado de 2026, entretanto, o indicador ainda apresenta retração de 13,7%.

Outro sinal importante para o mercado veio dos custos de produção. Em maio, o Custo Operacional Efetivo (COE) caiu 1,39%, registrando a primeira redução do ano. Apesar desse alívio mensal, o indicador ainda acumula alta de 1,8% em 2026, resultado do aumento das despesas com nutrição animal, sanidade e operações mecanizadas.

A pressão também começou a aparecer com maior intensidade no mercado de derivados. O leite UHT apresentou queda de 7,56% em maio frente a abril, enquanto a muçarela e o leite em pó permaneceram praticamente estáveis, com pequenas altas de 0,12% e 0,13%, respectivamente. Segundo o Cepea, o movimento de redução dos preços dos derivados ganhou intensidade durante a primeira quinzena de junho.

No comércio exterior, os números mostram outra variável acompanhando o mercado doméstico. As importações brasileiras de lácteos alcançaram 226,21 milhões de litros em Equivalente-Leite (EqL) em maio, crescimento de 3,58% sobre abril e volume 28% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.

As exportações também cresceram na comparação mensal, avançando 45,33% e totalizando 5,81 milhões de litros EqL. Apesar dessa recuperação frente a abril, os embarques permaneceram 21,42% abaixo do volume registrado em maio do ano anterior.

Para junho, a expectativa do Cepea é de manutenção desse cenário regionalizado. A tendência é de continuidade da pressão sobre os preços no Sul, enquanto Sudeste e Centro-Oeste devem seguir com um mercado mais firme, caminhando para a estabilidade.

Em vez de um único mercado nacional, os indicadores mostram um setor dividido por diferentes condições de oferta, comportamento regional da produção e movimentos distintos ao longo da cadeia, fatores que continuam determinando a formação dos preços do leite no país.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por O Presente Rural

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