As mudanças climáticas passam a ocupar um espaço cada vez mais estratégico na produção de leite em Goiás, segundo uma pesquisa que avaliou diferentes cenários de estresse térmico para rebanhos leiteiros ao longo das próximas décadas.
O estudo indica que o impacto do clima deixa de ser uma preocupação distante e passa a influenciar decisões sobre adaptação dos sistemas produtivos.
O levantamento mostra que, a partir de 2061, o número de dias por ano com condições climáticas capazes de gerar estresse acima do limite suportável poderá comprometer o desempenho de vacas da raça holandesa no estado, mesmo em um cenário de redução das emissões globais de gases de efeito estufa.
Os resultados também apontam diferenças importantes entre as composições raciais avaliadas. Os animais da raça girolando, resultado do cruzamento entre Holandês e Gir, apresentaram maior capacidade de adaptação às condições projetadas. Ainda assim, nos cenários climáticos mais severos, restrições também podem ocorrer, especialmente na região Noroeste de Goiás.
Mais do que identificar riscos, a pesquisa busca oferecer informações que permitam antecipar estratégias de adaptação. Segundo a pesquisadora Nicole Costa Resende Ferreira, da Embrapa Territorial, os cenários variam conforme a região. Em determinadas áreas, a substituição do gado holandês por animais girolando, ou por composições com maior participação da raça Gir, poderia melhorar o desempenho produtivo. Em outras localidades, entretanto, essa mudança isoladamente não seria suficiente, tornando necessários investimentos em infraestrutura e em melhorias genéticas para aumentar a resiliência dos animais.
O estudo avaliou vacas holandesas puras e animais girolando com composições de ⅛, ¼ e ¾, considerando dois níveis de severidade das alterações climáticas e quatro períodos de análise: 1986-2005, 2021-2040, 2041-2060 e 2061-2080.
A pesquisa foi apresentada durante o Euragen World Congress, realizado em Torino, na Itália, entre 24 e 26 de junho, e integra o projeto “Impacto das mudanças climáticas na produção de leite e bem-estar de vacas leiteiras criadas no estado de Goiás, Brasil”, desenvolvido pela Embrapa Territorial em parceria com a Universidade Federal de Goiás, a Associação Girolando e a Universidade de Florença.
A primeira etapa do trabalho utilizou um banco de dados da Associação Girolando com dez anos de informações sobre os limites de estresse térmico da raça, empregando o Índice de Temperatura e Umidade como indicador de referência.
Paralelamente, pesquisadores realizam experimentos em uma fazenda leiteira de Goiás, com sistemas de criação a pasto e confinamento. Os dados coletados servirão para desenvolver um índice mais abrangente, incorporando outros fatores relacionados ao bem-estar animal além das condições de temperatura e umidade.
Iniciado em 2025 e com duração prevista de quatro anos, o projeto busca ampliar a compreensão sobre os efeitos das mudanças climáticas na pecuária leiteira e fornecer informações que apoiem o planejamento da produção diante dos diferentes cenários projetados para o estado.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por CompreRural






