ESPMEXENGBRAIND
21 jul 2026
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O Mapa Mundial de Lácteos 2026 mostra que queijo, proteína e novos mercados estão mudando os fluxos globais do setor 📈
A busca por proteína e a mudança dos polos de demanda redesenham o comércio internacional de lácteos, segundo a Rabobank. 🧀
A busca por proteína e a mudança dos polos de demanda redesenham o comércio internacional de lácteos, segundo a Rabobank 🧀

O Mapa Mundial de Lácteos 2026 revela que o comércio internacional continua crescendo, mas o centro das oportunidades mudou. Segundo a Rabobank, o avanço da demanda por proteína, o fortalecimento do queijo como principal produto de expansão e a redistribuição dos mercados importadores estão redesenhando os fluxos globais de lácteos.

Embora o comércio mundial tenha aumentado de 91,1 bilhões para 101,2 bilhões de quilos equivalentes de leite (LME) entre 2017 e 2025, mantendo um crescimento médio próximo de 2% ao ano, o mapa competitivo já não é o mesmo. Depois de oscilações provocadas pela queda da produção na Nova Zelândia em 2022 e por uma recuperação mais forte em 2025, o crescimento voltou à sua tendência estrutural.

A mudança mais importante, entretanto, não está apenas no volume negociado, mas em quem ganha espaço nesse novo cenário.

A União Europeia continua sendo a maior exportadora mundial, com 27,5 bilhões de quilos LME exportados em 2025 e participação de 27% das exportações globais. Ainda assim, sua liderança diminui gradualmente. Enquanto isso, os Estados Unidos ampliaram sua participação nas exportações globais de 11,3% para 13,5% entre 2017 e 2025, enquanto Argentina e Uruguai passaram juntos de 3,0% para 4,3% do mercado internacional.

Do lado da demanda, a China continua sendo o maior importador mundial, com 11,7 bilhões de quilos LME considerando China, Hong Kong e Macau. Porém, desde o pico registrado em 2021, as compras vêm diminuindo de forma contínua, especialmente em leite fluido, creme e leite em pó, categorias cujas importações foram reduzidas pela metade em quatro anos. A combinação entre maior produção doméstica e demanda mais fraca obrigou os exportadores a buscar novos destinos.

É justamente nessa redistribuição que surgem novos polos de crescimento.

A Arábia Saudita amplia gradualmente suas importações por depender estruturalmente de produtos como queijo, leite em pó e leite evaporado. Tendência semelhante aparece em Emirados Árabes Unidos e Omã. No Sudeste Asiático, Malásia e Tailândia apresentam crescimento consistente das importações, enquanto Vietnã e Indonésia evoluem em ritmo mais moderado.

O Brasil também ganha protagonismo. As importações passaram de 1,3 bilhão para 2,3 bilhões de quilos LME entre 2022 e 2025, impulsionadas principalmente pela maior demanda por queijo e leite em pó.

Entre todos os produtos lácteos, nenhum concentra tantas mudanças quanto o queijo.

Desde 2017, o comércio mundial de queijo cresceu 40%, alcançando 8,96 bilhões de quilos em 2025. A taxa média anual chegou a 3,3%, acelerando ainda mais entre 2024 e 2025 graças à maior disponibilidade de leite nos principais exportadores e ao fortalecimento da demanda internacional.

Estados Unidos e Argentina dobraram suas exportações de queijo desde 2017. Os Estados Unidos consolidaram-se como o segundo maior exportador mundial, atrás apenas da União Europeia e Reino Unido. Já a Europa direcionou parcela crescente do leite para a fabricação de queijo: enquanto sua produção de leite aumentou apenas 5% desde 2017, a produção de queijo cresceu 9% e as exportações avançaram 12%, refletindo a prioridade dada aos produtos de maior valor agregado.

O leite em pó apresenta um cenário bastante diferente.

As exportações de leite em pó desnatado cresceram apenas 0,5% em 2025, mantendo um ritmo considerado moderado. Nos Estados Unidos, as exportações dessa categoria continuam caindo cerca de 6% ao ano, enquanto países do Sudeste Asiático passaram a recorrer mais à Nova Zelândia e à Europa.

No leite em pó integral, a Nova Zelândia mantém posição dominante, respondendo por 53% das exportações globais em 2025. A União Europeia, por outro lado, reduziu suas exportações de 387 mil toneladas em 2017 para 172 mil toneladas em 2025, concentrando sua produção em queijo, manteiga e leite em pó desnatado.

Outro movimento relevante aparece na manteiga.

Após anos de estabilidade, o comércio global aumentou 9% em 2025, alcançando 2,23 milhões de toneladas. Grande parte desse avanço veio dos Estados Unidos, cujas exportações praticamente triplicaram em um ano, passando de 45 mil para 123 mil toneladas, superando inclusive os aumentos registrados por Nova Zelândia e Argentina.

Mas talvez a transformação mais estratégica esteja acontecendo em um produto que praticamente não altera seus volumes: o soro de leite.

Apesar de o comércio permanecer próximo de 3,5 milhões de toneladas por ano, seu valor vem aumentando. Segundo a Rabobank, os preços começaram a subir em 2025 e aceleraram em 2026 impulsionados pela crescente valorização das proteínas do soro, utilizadas na nutrição esportiva e cada vez mais associadas às dietas ricas em proteína. Esse movimento torna o soro um componente cada vez mais estratégico da indústria global.

Essa valorização da proteína ajuda a explicar por que a capacidade industrial de processamento de queijo continua crescendo, especialmente nos Estados Unidos, onde as plantas ampliaram sua capacidade em 6% apenas em 2025. Como o soro é um subproduto da fabricação de queijo, os investimentos em novas fábricas reforçam simultaneamente dois mercados considerados estratégicos.

Na avaliação da Rabobank, o futuro do comércio mundial dependerá menos de onde está a demanda e mais de quais regiões conseguirão ampliar a produção de leite.

A Europa enfrenta limitações regulatórias, envelhecimento dos produtores e menor margem para aumentar produtividade. Já Estados Unidos e Argentina aparecem como os países com maior capacidade de expandir a oferta. No caso argentino, a produção passou de uma queda acumulada de 8% entre 2022 e 2024 para crescimento de 10% em 2025 e de 7% no primeiro trimestre de 2026 frente ao mesmo período anterior, com parte importante desse volume destinada ao mercado brasileiro.

Mesmo com a China reduzindo parte de suas compras, a Rabobank considera que o comércio internacional deverá manter seu crescimento estrutural próximo de 2% ao ano, ainda que os fluxos comerciais continuem sendo redesenhados pela combinação entre novos mercados consumidores, mudanças na oferta de leite e a crescente importância econômica da proteína.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Rabobank

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