A Argentina responde por apenas 0,01% de tudo o que Singapura compra do mundo. Mesmo assim, o leite em pó argentino aparece agora como um dos produtos com mais chances de ganhar espaço naquele mercado, depois que entrou em vigor o acordo de livre comércio entre Singapura e o Mercosul.
A estimativa vem de uma análise baseada em dados do International Trade Centre (ITC): o potencial adicional do leite em pó argentino gira em torno de US$ 4 milhões. É pouco diante do tamanho do comprador, e é justamente aí que está o ponto de interesse.
Singapura tem cerca de 6 milhões de habitantes, mas importou US$ 503.736 milhões em bens em 2025, o que a colocou como o 16º maior importador do mundo. Depende fortemente do abastecimento externo de alimentos e tem alto poder de compra, o que abre espaço também para produtos de maior valor agregado e segmentos premium.
Do lado argentino, a relação comercial ainda é modesta e instável. As exportações totais para Singapura somaram US$ 44,3 milhões em 2025, contra US$ 117,2 milhões um ano antes. A Argentina tem escala produtiva e experiência exportadora, mas vai disputar espaço com fornecedores que já mantêm relações consolidadas com compradores asiáticos.
O acordo dá acesso preferencial aos produtos originários do Mercosul, e a redução de tarifas pode melhorar a competitividade. Mas a própria análise deixa claro que a tarifa não faz o trabalho sozinha. Quatro fatores seguem pesando:
- as habilitações sanitárias;
- a logística;
- a continuidade do abastecimento;
- a construção de vínculos com importadores e distribuidores.
Para os lácteos, são esses pontos que vão determinar se o potencial vira operação concreta. O leite em pó não vai competir só por preço, mas também por confiabilidade de fornecimento, qualidade e capacidade de sustentar relações comerciais de longo prazo.
Há ainda uma segunda camada. Singapura funciona como um dos principais centros logísticos, financeiros e comerciais do Sudeste Asiático, e dali operam empresas com alcance regional. Por isso, uma presença maior de lácteos argentinos no país poderia servir de plataforma para desenvolver distribuidores e canais comerciais em outros mercados asiáticos.
O desafio, no fim, é converter uma vantagem tarifária e um potencial estimado de US$ 4 milhões em vendas sustentadas de leite em pó.
*Produzido pela eDairyNews Br, com informações publicadas por EDairyNews Es






