O custo de produção de leite subiu 4,13% nos oito primeiros meses de 2026, acima dos 3,11% de inflação das famílias brasileiras no mesmo período.
Ele avança justamente quando o litro pago ao produtor ganha valor. É o que mostram, lado a lado, o ICPLeite, da Embrapa, e o levantamento do Cepea, feito com apoio da OCB.
Do lado do preço, a notícia é positiva. Em julho, o valor médio do leite cru captado pelos laticínios chegou a R$ 2,8761 por litro na “Média Brasil” líquida, alta de 4,65% sobre junho. Descontada a inflação pelo IPCA de julho, o avanço sobre o mesmo mês do ano passado foi real, de 4,96%.
Do lado da porteira, a conta pesa. O ICPLeite subiu 1,47% em agosto, o segundo mês seguido de aumento expressivo, enquanto o custo de vida das famílias registrou deflação de 0,32% no mês, segundo o IBGE. Os minerais lideraram, com alta de 10,89%, e o grupo concentrado avançou 3,35%, puxado por ração e milho. Em 12 meses até agosto, o custo acumulou 3,73%, mais que o dobro dos 1,72% medidos até julho.
A Embrapa afirma que a alta ainda não é consequência do El Niño. Ela vem da menor disponibilidade de pastagens, do encarecimento dos grãos e dos insumos importados, em um cenário de maior tensão no mercado internacional. A mão de obra também pesou, por sua participação no custo total, e minerais, sanidade e reprodução acumulam altas de dois dígitos no ano.
Os dois indicadores não medem exatamente a mesma coisa. O ICPLeite acompanha propriedades de Minas Gerais, e o Custo Operacional Efetivo (COE) do Cepea, que subiu 0,63% entre julho e agosto na Média Brasil, tem recorte nacional. Nesse levantamento, o Rio Grande do Sul teve a maior elevação, de 1,38%. O movimento, porém, é o mesmo: concentrado e suplementos minerais mais caros.
O que preocupa é o passo seguinte. Segundo o Cepea, o mercado de lácteos perdeu força na parcial de setembro, com maior estabilidade e menos sustentação de preços. No atacado paulista, o UHT subiu 0,45% em agosto, para R$ 4,89 por litro, movimento ligado à valorização da matéria-prima. Para a Embrapa, custos em alta somados à expectativa de menores preços pagos ao produtor no segundo semestre tendem a reduzir as margens até o verão.
Nas exportações, o queijo foi destaque. As vendas externas cresceram 39,54% entre julho e agosto, para 2,47 milhões de litros em Equivalente-Leite, e responderam por 47% de tudo o que o Brasil embarcou em lácteos em agosto, mesmo com a retração dos embarques totais. Na comparação com agosto de 2025, porém, o queijo recuou 4,6%.
O retrato é de um mercado de duas faces: leite mais valorizado na origem e custos que seguem em alta.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Brasilagro e Cenário MT






