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24 jul 2026
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📊 Desde maio, produtores de leite podem travar preços com antecedência através do mercado futuro, reduzindo riscos financeiros.
🐄 Especialistas explicam a produtores paranaenses como funciona o mercado futuro do leite e por que vale a pena conhecê-lo.
🐄 Especialistas explicam a produtores paranaenses como funciona o mercado futuro do leite e por que vale a pena conhecê-lo.

Travar hoje o preço que será recebido por um lote de leite daqui a alguns meses.

Essa é a lógica por trás do mercado futuro do leite, ferramenta que passou a operar no Brasil desde 13 de maio e que já é tratada como uma virada de chave para um setor historicamente exposto às oscilações de preço.

Diferente do que ocorre em bolsa, os contratos desse mercado são negociados diretamente entre as partes, no chamado mercado de balcão, sem listagem em bolsa de valores. Na prática, comprador e vendedor combinam antecipadamente o preço que será pago por uma quantidade de leite em uma data futura.

É um instrumento de hedge: protege contra a variação do preço, dá previsibilidade ao caixa da propriedade e, segundo produtores e técnicos, tende a melhorar a rentabilidade do negócio no médio prazo.

O tema foi debatido na reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema FAEP, realizada em 16 de julho, que reuniu produtores das principais bacias leiteiras do Paraná. Para explicar o funcionamento da ferramenta e responder dúvidas, participou do encontro Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, uma das instituições que ajudaram a desenvolver o mecanismo junto ao Sistema FAEP, ao Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) e à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Segundo Marianne, o Brasil ainda está no início desse processo, mas o caminho já é conhecido em outros países: no mercado mundial de leite, 70% dos players operam com mercado futuro. Para quem quer começar, o primeiro passo é abrir conta em uma corretora — um trâmite que não tem custo, mas exige documentação e análises mais detalhadas, o que recomenda não deixar para a última hora.

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, lembra que outras cadeias agrícolas já passaram por essa curva de aprendizado. Segundo ele, o mercado futuro é realidade consolidada para commodities como soja, milho e boi gordo, e é questão de tempo até que os pecuaristas de leite se familiarizem com a ferramenta e comecem a colher os benefícios.

Quem também reforça esse ponto é o presidente da CT de Bovinocultura de Leite, Eduardo Lucacin, produtor de leite. Para ele, o aprendizado de outras cadeias produtivas serve de referência, mas o uso da ferramenta exige preparo: conhecer bem os custos e a operação da própria atividade é o que permite identificar o melhor momento para travar o preço.

A reunião da CT, no entanto, não girou apenas em torno do mercado futuro. Produtores levantaram outras preocupações que também pressionam o custo e o risco da atividade leiteira no Paraná. Uma delas é o fornecimento de energia elétrica: relatos de leite perdido e equipamentos queimados por falhas na rede se repetem entre os participantes.

Lucacin afirma que o Sistema FAEP já atua em Brasília e junto ao Ministério Público Estadual para cobrar melhorias na qualidade do serviço da concessionária, mas admite que a comissão pode precisar buscar soluções próprias para reduzir os prejuízos.

A sanidade do rebanho também entrou na pauta, com foco no combate à brucelose. O vice-presidente da CT, Roger van der Vinne, médico veterinário e produtor em Carambeí, na região dos Campos Gerais, defende que o controle da doença é pré-requisito para que o Brasil ganhe competitividade no mercado internacional.

Para ele, cabe a cada produtor fazer a parte que lhe cabe: gerir a saúde do rebanho, realizar testes e vacinação, e buscar a certificação de propriedade livre da doença.

Fechando a pauta da comissão, ganhou espaço a discussão sobre o potencial de aumento de rentabilidade a partir de derivados do leite, especialmente sólidos, proteína do soro (whey) e concentrado proteico do leite. Segundo Lucacin, essas tendências fazem parte do horizonte de trabalho da comissão, em conjunto com o Conseleite.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Sistema FAEP

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