ESPMEXENGBRAIND
27 jul 2026
ESPMEXENGBRAIND
27 jul 2026
🔬 Enquanto o mito circula nas redes, pesquisas mostram o oposto sobre o consumo de leite e derivados.
🧀 Alergia e intolerância existem, mas não confirmam a ideia de que o leite inflama por natureza
🧀 Alergia e intolerância existem, mas não confirmam a ideia de que o leite inflama por natureza.

O leite virou alvo de um debate que cresce nas redes sociais: seria ele um alimento inflamatório?

A tese ganhou força em vídeos e postagens que relacionam o consumo de laticínios a quadros como acne, rinite e sinusite, além de doenças crônicas. É um discurso que já influencia decisões de consumo — mas que, segundo a nutricionista Isabella Lacerda, não encontra base científica.

Em um vídeo que viralizou recentemente, ela questiona a origem dessa crença, ainda que de forma descontraída. E o que sustenta sua posição é a literatura científica publicada nos últimos anos.

Uma revisão sistemática publicada no Journal of the American College of Nutrition reuniu 27 ensaios clínicos aleatórios sobre o consumo de leite e derivados. O resultado: nenhuma evidência de que os laticínios elevem marcadores de inflamação no organismo. Em parte dos estudos analisados, o efeito observado foi justamente o inverso — pessoas que consumiam leite e derivados regularmente apresentaram redução desses marcadores.

O dado contraria diretamente a narrativa que circula online e sugere que a tendência de demonizar o leite se apoia mais em percepção do que em evidência.

Isso não significa, porém, que o leite seja indiferente a todo mundo. Existem duas condições reais que podem gerar sintomas após o consumo — e é aí que mora a confusão que alimenta o mito.

A primeira é a alergia à proteína do leite de vaca (APLV), quadro em que o sistema imunológico reage principalmente à caseína, embora outras proteínas do leite também possam desencadear a resposta. Essa reação é, de fato, inflamatória, e pode causar urticária, inchaço, sintomas gastrointestinais e, em casos mais graves, anafilaxia.

A segunda é a intolerância à lactose, que tem origem completamente diferente. Ela ocorre quando o organismo produz pouca ou nenhuma lactase, a enzima responsável por digerir o açúcar do leite. Sem essa digestão adequada, a lactose não é absorvida corretamente e provoca gases, distensão abdominal, dor e diarreia.

Segundo o Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos Estados Unidos (NIDDK), trata-se de um problema digestivo — não de uma reação inflamatória sistêmica.

É justamente essa sobreposição de sintomas entre condições distintas que parece alimentar a confusão coletiva: sintomas digestivos de origem pontual acabam generalizados como prova de que o leite “inflama” o corpo de qualquer pessoa.

Para quem tem diagnóstico de APLV, intolerância à lactose ou outra condição específica, a orientação de médicos e nutricionistas continua sendo o caminho indicado. Mas, para a população em geral, as evidências científicas disponíveis hoje não sustentam a ideia de que o leite seja, por natureza, um alimento inflamatório — um sinal de que a tendência de consumo tende a se reequilibrar conforme mais dados como esses ganham visibilidade fora das redes.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Xataka

Te puede interesar

Notas Relacionadas

Faça login na minha conta