O preço do leite no mercado mundial interrompeu, em junho de 2026, uma sequência de cinco meses consecutivos de alta.
O indicador global da International Farm Comparison Network (IFCN) recuou 0,2% na comparação com maio, um ajuste pequeno, mas que marca uma pausa num movimento que vinha sustentando o setor lácteo internacional desde o início do ano.
A oscilação, ainda que mínima, expõe a volatilidade que caracteriza esse mercado. Segundo a IFCN, o mesmo indicador havia caído cerca de 17% — o equivalente a US$ 9 — ao longo de sete meses, e depois recuperou integralmente esse valor em apenas quatro meses. É nesse contexto de recuperação acelerada que a leve queda de junho aparece: mais como uma pausa do que como uma mudança de rota.
Do lado da oferta, a explicação para o freio nos preços está na produção. A IFCN aponta que o volume mundial de leite segue crescendo acima da média histórica, o que começa a conter novas altas. Os Estados Unidos lideram esse movimento, com produção em expansão sustentada que amplia a disponibilidade global. Já a Nova Zelândia atravessa o período do ano de menor produção, com oferta reduzida antes do início da nova temporada.
Na Europa, o cenário é desigual entre os países. Na Alemanha, a estabilidade do rebanho leiteiro mantém os níveis de produção sob controle.
Na França, a combinação de baixa disponibilidade de forragens com as altas temperaturas registradas no fim de junho preocupa tanto pelo impacto direto na produção quanto pelo bem-estar animal. Para a IFCN, as condições climáticas devem seguir como um dos principais fatores de incerteza para a oferta europeia nos próximos meses.
O comportamento também variou entre os produtos lácteos. Enquanto a maioria das commodities registrou quedas moderadas em junho, o soro de leite em pó subiu 5,7% no mês, e a leite em pó desnatada manteve leves aumentos.
A IFCN relaciona esse desempenho ao interesse internacional sustentado por proteínas lácteas e por produtos com maior vida útil, sobretudo entre os principais países importadores. Do outro lado, queijo, leite integral em pó e manteiga tiveram quedas moderadas ou sinais de estabilização.
Os custos de produção seguem como ponto de atenção. A moderação recente das tensões geopolíticas ajudou a estabilizar parcialmente os preços do petróleo e dos fertilizantes, mas a IFCN alerta que esses custos continuam expostos a alta volatilidade. A evolução da energia, dos fertilizantes e da alimentação animal deve seguir sendo decisiva para a rentabilidade das propriedades leiteiras.
O retrato que emerge é o de um mercado mais equilibrado, mas ainda vulnerável a mudanças bruscas na produção, na demanda e nos custos. O crescimento da oferta nos Estados Unidos contrasta com as limitações sazonais da Nova Zelândia e com as condições climáticas na Europa. A partir daqui, será a demanda por leite em pó, proteínas lácteas, queijo e manteiga que deve definir a direção do mercado no segundo semestre de 2026.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por EDairyNews Es






